O comerciante Sidnei Júnior Fernandes, 30, dono da Auto Escola Únika, localizada no Centro de Franca, foi preso em flagrante, ontem, acusado de receptação. Policiais militares encontraram na casa dele uma carga de couro avaliada em R$ 100 mil. O produto havia sido roubado de um curtume em São Sebastião do Paraíso (MG) em dezembro. Há quatro meses, Sidnei já havia sido levado para a cadeia por, supostamente, comandar um esquema de fraude no exame para tirar CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Sua prisão ocorreu no dia em que a polícia levou a melhor na guerra contra o crime. Em cinco ações distintas realizadas em Franca, Restinga, Batatais e Ituverava, os policiais prenderam 18 pessoas num intervalo de dez horas. São criminosos envolvidos com o tráfico de drogas, roubo à mão armada, homicídio e receptação.
O envolvimento do dono da auto-escola com o crime vinha sendo investigado há vários meses. A polícia tinha informações de que ele atuava como receptador. Na manhã de ontem, a equipe do tenente Fachini foi até a casa do acusado, no Recanto Elimar, com um mandado de busca e apreensão. A intenção era localizar produtos furtados. “Em um cômodo dos fundos, localizamos grande quantidade de peças de couro. Fizemos a apreensão e conduzimos o material e o proprietário para a delegacia. O gerente do curtume reconheceu os produtos como sendo os que haviam sido roubados no fim do ano passado”.
O roubo aconteceu no dia 13 de dezembro. Na oportunidade, dez homens armados invadiram o Curtume Santo Antônio, situado nas margens da BR 265, próxima a Paraíso, e mantiveram 12 funcionários como reféns em um barracão. Dois assaltantes se encarregaram de vigiar as vítimas, enquanto os comparsas pegavam os couros e colocavam na carroceria de um caminhão Volkswagen branco pertencente ao curtume. O veículo foi abandonado no dia seguinte em Ribeirão Corrente.
Desde o início, a polícia trabalhou com a possibilidade de a carga roubada ter sido trazida para Franca pelo fato de a cidade ser um pólo calçadista. Boa parte do carregamento foi encontrada pela PM na casa do comerciante. Durante depoimento à polícia, ele disse que havia trocado o produto por um Ômega, versão que não convenceu. De acordo com um classificador que esteve na delegacia, o couro é tipo exportação e está avaliado entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. “Inicialmente, indiciamos o comerciante por receptação, mas as investigações continuam. Em conjunto com a delegacia de Paraíso, daremos continuidade na apuração para identificar e prender os autores do roubo. Também vamos atrás do restante do couro”, disse o delegado Dalmo Mateus Polo.
Na casa de Sidnei, a polícia também apreendeu peças de veículos e outros produtos de origem duvidosa. No dia 15 de outubro, o dono da auto-escola foi preso pela equipe da DIG acusado de fraudar o exame da carteira de motorista. Segundo a polícia, ele usava “laranjas” para fazer a prova teórica no lugar de analfabetos ou de pessoas que enfrentavam dificuldades em responder às 30 questões. Recebia de R$ 300 a R$ 500 para entregar a CNH de maneira ilícita aos interessados. Respondia ao processo em liberdade. Ele não quis falar sobre o envolvimento com o couro roubado.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.