Censo dos mortos


| Tempo de leitura: 2 min
A Secretaria de Serviços Municipais e Obras de Franca está com planilhas prontas para um censo, digamos, inusitado e, porque não, curioso. Trata-se do recadastramento de mortos sepultados no Cemitério da Saudade, Centro da cidade. O objetivo é descobrir a capacidade do local para novos enterros e quais sepulturas estão abandonadas. O Cemitério da Saudade começou a funcionar em 1884, quando passou a ser administrado pela Prefeitura. Nesses 124 anos, a administração atual calcula que existam na área quase 5,3 mil sepulturas, muitas ainda do século XIX. Ismar Tavares, secretário de Serviços Municipais, disse, inclusive, ser esse um dos fatores que motivaram a realização do censo. “Queremos atualizar o projeto de sepulturas do cemitério. Ele é o mais antigo da cidade e, num levantamento inicial, verificamos que existem muitas sepulturas abandonadas”. Tavares explicou que as famílias proprietárias de túmulos no local devem procurar a Prefeitura ou o próprio cemitério, de pose do certificado de propriedade para atualizar os dados. O atendimento é em horário comercial e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3711-9118 com Daniela. O recadastramento é gratuito. A Secretaria de Serviços Municipais não estimula um tempo, mas gostaria de ter os trabalhos concluídos em 60 dias. Para o secretário, a atualização dos dados ajudará a elaborar um estudo sobre o que poderá ser feito com as sepulturas abandonadas e se há chances do espaço ser colocado à venda ou não. “As sepulturas que não tiverem o certificado de propriedade, mas estiverem instaladas com alguma característica arquitetônica receberão uma maior atenção. O trabalho é bastante criterioso e deve ser feito com muito cuidado”. [FOTO2] A reportagem esteve no cemitério e constatou que os túmulos das duas primeiras quadras do recinto (entrada) são os mais deteriorados e com maior sinal de abandono. Alguns datam de 1890, 1905, 1911 e outros sequer apresentam placas de identificação. Numa sepultura, na quadra dois, com uma plaqueta com inscrição perpétua 2184, a tampa superior está destruída e o buraco aberto serve como esconderijo de pratos, garrafas e roupas de moradores de ruas, além de criadouro do mosquito da dengue. “Todos os túmulos abandonados precisam de um estudo minucioso. Dependendo de sua característica, serão conservados. Alguns fazem parte da cultura e são até tombados pelo patrimônio histórico. Já as sepulturas que estão na terra ou os túmulos baixos em construção de alvenaria podem ser mexidos”. REVITALIZAÇÃO Com familiares sepultados no local, a dona de casa Neide Cantarino Hanahiro, 53, diz que o local é histórico e precisa de cuidados. “Ficamos tristes com a situação do cemitério. Ele está abandonado”. Para mudar esse aspecto, a Prefeitura também planeja, com o fim do censo, realizar uma revitalização completa no local. A intenção é promover uma série de pinturas, reformas, construção de galerias pluviais, trocas de piso e reparos nos muros. “É um projeto que a Secretaria tem já há algum tempo e pretendemos fazer ainda em 2008. Estamos somente definindo como fazer essa revitalização após esse trabalho burocrático”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários