Saiu a última pesquisa CNT/SENSUS e para surpresa da elite branca os números mais uma vez são favoráveis ao governo. Nunca antes na história desse País um Presidente da República teve índices tão crescentes de aceitação e popularidade. Definitivamente Lula parece ser um fenômeno estatístico sem precedentes na história das pesquisas de opinião.
Aliás, a pesquisa revela bem mais que a popularidade do presidente. Revela também o quanto Lula é visto como uma entidade completamente separada de todos os escândalos que surgem em seu governo, o chamado “efeito teflon”.
No caso mais recente – o dos cartões corporativos –, Lula passou incólume pelo lamaçal, assistiu à queda de uma ministra de Estado nomeada por ele como se nada tivesse acontecendo e ainda disse: “não tenho tempo a perder com CPI dos Cartões”.
Tem razão presidente, nem eu tenho tempo a perder. Preciso trabalhar doze horas por dia para pagar escola, convênio médico, segurança e impostos, principalmente impostos. Também quem mandou eu estudar, devia ter virado político.
Mas se ele assim deseja, deixemos pra lá essa tal de CPI/Mista (meia aliche/meia calabresa) e voltemos à pesquisa. Nela encontramos o que há de mais atualizado em dados estatísticos e não há o que negar, Lula é amado, idolatrado, salve, salve, por um número tão grande de brasileiros que até se parece com aquela brincadeira de criança “ele contra a rapa”.
Como isso é possível? Não sei. Confesso que passei a semana toda tentando achar uma explicação para tal fenômeno, mas não encontrei nada que me convencesse. Especialistas chamados a analisar os números estapafúrdios deram várias versões: programas sociais, carisma, capacidade de articulação política, blindagem, efeito teflon, nichos populacionais, etc. e tal, mas nada disso me convence.
A única possibilidade me foi dada por uma daquelas estórias que ninguém sabe quem inventou, mas que são boas que só vendo. Dizem que em uma escola de uma determinada região do interior do País, o garoto disse para a professora que no sítio em que morava sua coelha havia dado à luz cinco coelhinhos. Eufórico, o menino disse: “são todos eleitores do Lula”.
Animada com a história a professora repassou a notícia ao diretor que pediu que o aluno viesse preparado no dia seguinte para contar a história ao próprio Presidente, já que o máximo mandatário do País faria uma visita à escola.
Na data, o menino conta ao Presidente que sua coelha havia parido cinco coelhinhos, sendo que dois deles eram seus eleitores.
Estranhando a diferença dos números o diretor cobra explicações do aluno. Sem pestanejar, ele responde: “é que os outros três já abriram os olhos”.
É por isso que eu digo: graças a Deus, tenho miopia.
ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca.
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