Erro médico desafia consciência e traz à cena discussão sobre a eugenia. Graças à alta tecnologia a serviço da Medicina Fetal, são detectados no útero materno problemas graves de saúde no feto, gerando-se daí, intervenções que têm garantido o direito de vida aos não-nascidos.
Por outro lado, o diagnóstico pré-natal que a ultra-sonografia produz com relação à má formação fetal, constitui grande preocupação junto a diversos segmentos de defesa de direitos aos não-nascidos. Limitar o diagnóstico pré-natal de mal-formações estaria limitando os demais, que podem beneficiar a vida intra-uterina.
A ecografia tridimensional (3D), entre outras, tem condições de detectar más formações congênitas, e de possibilitar estudo individual em gestações múltiplas e gemelares. Foi o que ocorreu a uma grávida de 12 semanas na Itália, país que hoje completa 30 anos da promulgação do aborto. Grávida de gêmeas, teve constatado que uma das meninas possuía uma alteração cromossômica, o que a levou a descartar a gêmea com a Síndrome de Down, através do aborto seletivo.
No entanto, a equipe médica responsável pela intervenção eliminou “equivocadamente o feto saudável”, segundo o hospital. Esse “equívoco” deveu-se ao fato de que os médicos conheciam a posição do feto enfermo, já que as ecografias realizadas antes da intervenção, mostravam que ambos os bebês eram morfologicamente iguais, pelo que não apresentavam diferença alguma, justifica o hospital.
De acordo com declarações dos médicos que atenderam o caso, “os fetos que estavam no terceiro mês de gestação mudaram de posição na placenta antes da intervenção cirúrgica”. Investigado pela Procuradoria de Milão – segundo o jornal Corriere della Sera –, o caso que chocou não apenas grupos católicos, tem provocado um sério debate sobre a eugenia. A lei do aborto seletivo foi referendada por 68,3% de votos, em 1978.
Diante desse acontecimento, grupos católicos pedem a revisão da lei do aborto na Itália. Informa “L’Osservatore Romano” que uma decisão radical levou a repetir o aborto “da irmãzinha que havia ficado com vida”, ou seja, a menina com Síndrome de Down. Na realidade, todos os abortos chamados terapêuticos são eugenéticos, de vez que são “cometidos” com a intenção de matar um, o doente, e salvar o outro, o saudável. Depoimentos de pais e famílias são a medida do conflito enfrentado no chamado momento da notícia, quando carregado de preconceito e discriminação. “Sua filha será um vegetal para o resto da vida, não há nada que se possa fazer por ela” e “É cuidar dela como uma planta, aduba e rega e não precisa fazer mais nada”.
De acordo com afirmação de um pai de uma criança com a Síndrome de Down atendida em um dos programas da Apae, “lidar com o inesperado traz todas as imagens negativas à cabeça, pois ninguém está preparado para vivenciar uma situação como essa”. Só que nossa esperança na vida dessas pessoas diferentes é imortal: não podemos mudar o começo, mas juntos podemos compor um sempre novo e belo final!
É MENINO OU MENINA?
A ultra-sonografia ou a ecografia, depois o Beta HCG, exame laboratorial para confirmação de gravidez, são os mais votados na lista das ansiedades paternas e maternas. Esperar pelo primeiro ultra-som tem sido o grande desafio da paciência, momento em que entram em cena novos personagens: os avós. Imagens podem ser interpretadas pelos especialistas, registradas em filme e até gravadas em DVD, fazendo parte do futuro álbum desse esperado bebê. A ecografia tridimensional proporciona imagens mais nítidas e diagnósticos cada vez mais precoces. Contam os especialistas que é um exame “feto-dependente”, isto é, depende da movimentação, da quantidade do líquido aminiótico, e até da respiração da mãe para a produção de uma boa imagem. Proporciona, na opinião dos especialistas, uma maior interação entre pais e saber se os bebês virão perfeitos, a maior angústia da maioria. A ecografia tridimensional proporciona diagnóstico de más formações e outros acometimentos, passíveis inclusive de intervenção na vida intra-uterina.
FETOCÍDIO FEMININO!
Um grupo de pesquisa na Universidade de Delhi, estuda o porque do fetocídio feminino continua existindo na Índia, ainda que proibido por lei. O governo está preocupado com o fato de haver mais homens do que mulheres em sua população. Os homens indianos querem ter somente “filhos-homens” e, mesmo nas camadas mais altas, abomina “bebezinhas”. Faz tempo que o governo proibiu a ultra-sonografia em grávida. A esperança do governo era evitar o fetocídio em meninas.
LOUCA É A ESPERANÇA, ISSO SIM!
Lá, bem no alto do décimo segundo andar do Ano / Vive uma louca chamada Esperança / E ela pensa que quando todas as sirenas / Todas as buzinas / Todos os reco-recos tocarem / Atira-se / E, ó delicioso vôo / Ela será encontrada incólume na calçada / Outra vez criança... (Mario Quintana)
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