A doméstica aposentada Lúcia Helena Silva, 55, passou apenas seis dias ao lado de Maria Francisca de Lima, 73. Após o reencontro entre mãe e filha que não se viam havia 40 anos, Maria morreu ontem à tarde, em Franca, em decorrência de um câncer no pâncreas, descoberto perto de duas semanas atrás. “Agora que eu achei, ela se foi. Não ficou nada comigo, nem uma semana. Não acredito. Não acredito”, disse, chorando a filha.
Lúcia nasceu em Franca e estava com apenas 10 anos quando Maria Francisca foi embora, sozinha, para São Paulo, motivada pelos desentendimentos com o marido. Outros dois irmãos tinham 7 e 3 anos.
Aos 15 anos, Lúcia reencontrou a mãe, mas depois perdeu contato e ficou 40 anos sem informações.
No último dia 15 conseguiu revê-la internada na Santa Casa de São Paulo.
No dia 16, a senhora recebeu alta e na terça-feira passada, com ajuda de seus patrões, voltou a Franca para viver na casa da filha, no Parque Santa Hilda. O contato entre as duas durou muito pouco, apenas dois dias.
Por volta das 15 horas, o Corpo de Bombeiros foi acionado para levá-la até o Pronto-Socorro “Doutor Janjão”. Mas foi tarde. “Ela já chegou sem vida lá no ‘Janjão’; se foi”, disse, chorando.
A família com quem convivia em São Paulo ficou abalada com a morte de Maria Francisca. Eles pretendiam partir ontem da capital para acompanhar o velório e enterro dela em Franca. “Estamos tristes, mas o que podia ser feito, nós fizemos. Ela estava sofrendo muito e agora poderá descansar. Vamos todos nos despedir dela”, disse Noemi Cândido, 41, para quem dona Maria Francisca trabalhou nos últimos anos.
Cláudio da Silva, 52, irmão de Lúcia, que mora em Praia Grande, também ficou sabendo da notícia ontem, no início da noite. Até às 19h30 de ontem, muito abalado com a morte da mãe, ainda não tinha decidido se viajaria para Franca.
GRAVE
Maria Francisca descobriu que estava com câncer no pâncreas há cerca de 15 dias. Ficou internada na Santa Casa de São Paulo de 12 a 16 de fevereiro. “O médico falou que a doença era muito grave e que ela teria seis meses de vida, mas durou muito pouco. Não acredito que nunca mais terei minha mãe”, disse Lúcia.
Dona Maria estava bastante debilitada. Sem andar, falava com dificuldades e se alimentava apenas com produtos pastosos.
Maria Francisca está sendo velada no Velório do Cemitério Santo Agostinho, onde deverá ser enterrada hoje, às 13 horas. Os serviços estão sendo feitos pela Funerária Santa Bárbara.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.