Esta é nossa qüinquagésima coluna nesse jornal. Confesso que eu nem imaginava que minha colaboração aqui no Comércio da Franca iria durar tanto tempo assim. Até porque eu pensei que não teria tanto assunto pra sustentá-la meses seguidos. Mas a coluna durou esse tempo todo, com um artigo novo a cada semana. E um número crescente de leitores que, aliás, foi o que mais me espantou nessa história toda.
O trabalho jornalístico faz com que naveguemos em diversas direções, mas sempre há aquele caminho guardado no coração, aquele assunto pelo qual o jornalista mais se interessa e gosta de escrever. No dia 15 de março faz um ano que dei início a esse trabalho maravilhoso, depois de ter passado mais de 30 anos por vários jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC Paulista como repórter, redator, editor e até secretário gráfico. Quando me propus a escrever essa coluna semanal, pensei que ia ser moleza, não foi. Muitas vezes escrevi com um prazer supremo, mas em outras tive que espremer meus poucos e sofridos neurônios, e ainda assim não consegui passar exatamente o que queria. Mas quer saber? Não tenho dúvidas que valeu a pena, sempre vale. Um exemplo: nesse fim de semana eu estava num supermercado quando uma senhora se aproximou. Olhou-me bem no rosto e perguntou-me se não era eu o colunista que escrevia às quintas-feiras nesse jornal. Diante de minha confirmação, já esperada por ela, porque tive a certeza que havia me reconhecido, rasgou elogios ao jornal, a coluna e a esse escriba. Ela se identificou: dona Shirley, e eu, emocionado com tanto carinho, esqueci-me de perguntar seu sobrenome.
A recompensa por esse trabalho chega também quando assisto o velho jornalismo sobreviver e conviver com o novo. Este novo em mutação que tem tanto a aprender. O bom e velho jornalismo - percebo - resiste. Ele está nas bem levantadas matérias, investigativas ou não, constantemente publicadas pelo Comércio da Franca, com sua tradição de 92 anos. Nós, os dinossauros da comunicação, como nos cognominam estudantes de jornalismo e foquinhas, seremos sempre saudosos dos tempos das nossas redações, quando um colunista não queria nem saber que havia um departamento comercial no jornal.
Tempos gloriosos, mas confesso, atrasados. Vocês nem imaginam o que custava sustentar uma matéria longe da redação. Quase impossível. Depois veio o telex com as radiofotos, o fax, até chegarmos à linguagem binária.
Hoje tudo é simples. Um notebook ligado a um card dual band no sistema wireless e pronto. Texto redigido, tudo anexado ao e-mail e lá se vai à coluna – sem linha telefônica e sem tomada de eletricidade – para o Luiz Neto, meu editor, na redação do Comércio da Franca. Sem dúvida, a tecnologia dobra qualquer um, mesmo o mais empedernido dos dinossauros. Como os anciãos, que se apaixonam no fim da vida e choram o azar de só conhecer a nova amada no final da carreira.
PEDESTRES
Quando se fala das leis do trânsito, têm-se por alvo unicamente os motoristas que trafegam em nossas vias públicas. Acontece que aqui em Franca grande parte dos pedestres não tem condições de andar por áreas muito movimentadas. Não usam a faixa de segurança, caminham atrás de veículos que estão dando ré, cruzam pela faixa de segurança quando o semáforo fecha e assim por diante. Um amigo comentava dia desses com algum exagero, é claro: não resistiriam um mês tendo que cruzar diariamente avenidas como a Ismael Alonso Y Alonso, a Hélio Palermo ou a Presidente Vargas.
CHARLES DE GAULLE
Nos anos 60, depois que acordos entre Brasil e França não foram respeitados, Charles de Gaulle proferiu a célebre frase: “O Brasil não é um país sério”. Com todo respeito à memória de de Gaulle, o povo brasileiro é, em sua maioria, sério, trabalhador, honesto. Infelizmente, ainda não aprendeu a votar.
NEGATIVO
Lula passou incólume pelo mensalão, convenceu muita gente de que nada sabia, nada via ou ouvia. Continua com a popularidade em alta, de acordo com a última pesquisa, mas agora terá de enfrentar seu maior adversário: seus próprios atos. Jamais poderá negar desconhecimento do uso irregular do cartão corporativo por seus assessores. Seu governo distribuiu milhares de cartões de créditos para funcionários e ministros afanarem sem nenhum pudor o dinheiro do contribuinte. Tem gente apostando que acaba em pizza de novo.
POSITIVO
O esportista francano está feliz da vida. Basquete, só alegria. O futebol entre os primeiros colocados na Série A-3. É preciso apenas que a diretoria da “Feiticeira” evite especulações em cima de seus atletas de maior destaque, caso do volante Fabrício, pretendido pelo Taquaritinga, tranqüilize o elenco e dê condições para que os jogadores continuem esse trabalho sério rumo ao acesso. Com bons resultados, o torcedor volta ao Lanchão, está provado.
BARATINHAS FRITAS
O amigo Braz Boiani, comerciante de móveis em Franca, sentou-se à mesa de um restaurante popular em Ribeirão Preto, onde visitava a filha que mora naquela cidade, e escolheu uma porção de batatas fritas para acompanhar a cerveja gelada.
Quando foi atendido, percebeu alguma coisa anormal no prato servido.
- Garçom, por favor, o que significa isso aqui?
- Ah, é só uma perninha de “barata frita”.
- O quê? Barata frita, e você nessa calma toda?
- Mas o que você queria por esse preço? Perna de camarão?
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