Franca gerou no primeiro mês deste ano 1.668 novas vagas de emprego, o segundo maior saldo para o mês de janeiro desde 2000. O valor é menor apenas ao constatado em 2004, quando o saldo ficou em 1.693 novos postos de trabalho. O cenário econômico, no entanto, é bem diferente do notado há quatro anos, quando o dólar chegou à cotação de R$ 3,10, o que favorecia a exportação do principal produto fabricado na cidade, o calçado. Hoje, a moeda americana vale R$ 1,72 (cotação de ontem).
Leandro Augusto dos Santos, 25, é um dos contratados. Desempregado há seis meses, ele foi contratado na última semana como pespontador em uma banca da cidade. “Espero que os pedidos continuem chegando para que eu seja contratado em definitivo”, disse.
Apesar de tradicionalmente o mês de janeiro contar com um alto índice de admissões, ocasionadas principalmente pelas dispensas de fim de ano (só em dezembro foram 10 mil), os robustos números, superiores aos dos anos anteriores, mostram um aquecimento da economia, como explica o professor de economia e coordenador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), Hélio Braga Filho. “Isso é um aspecto positivo para o começo do ano. As vendas continuam fortes no varejo, então muito provavelmente a tendência seria recuperar os postos eliminados no começo do ano e começar a recontratação, com índices talvez até maiores do que os do ano passado”.
Hélio ressalta ainda que esta demanda por produto e, por conseqüência de produção, se dá para o mercado interno e não para exportações, o que mostraria que a economia local estaria se fortificando. “O carro-chefe passou a ser o mercado interno, e tudo leva a crer que a economia vai continuar aquecida e o consumo segue esta trajetória de aquecimento”.
Para o Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca, ainda não é possível saber qual a participação do setor no total de empregos gerados, mas os dados reafirmam a expectativa de crescimento de 10% na produção e na geração de emprego do setor. “Desde o ano passado esperávamos que este ano teria um bom desempenho, embora esteja longe da recuperação que nós pretendemos e precisamos. O ano está começando bem e esperamos um crescimento de pelo menos 10% de produção e oferta de emprego em relação ao ano passado”, diz o presidente do sindicato, Jorge Félix Donadelli.
Se para Donadelli os números mostram boas previsões, para o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, os dados mostram que o setor não passa por crise e sim por uma readequação. “Eu não só avalio (os números) como altamente positivos, como a concretização do que nós falamos há um bom tempo, que o setor está passando por um novo momento, começando um novo ciclo. Não tem justificativa para os empresários continuarem com o mesmo discurso, de que o setor não tem apoio. Não existe este cenário”, disse.
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