O casal Maurício Pereira da Rocha, 59, e Maria Rosário Rocha, 55, mora em Ribeirão Corrente e tem o costume de jantar todos os dias às 20 horas. Na noite de segunda-feira, foi diferente. Às 18h30, já estavam prontos para sair de casa. Eles foram para o primeiro dia de aula do curso de alfabetização. O casal sonha em aprender a ler e escrever e acredita que assim a vida será bem melhor. Eles não estão sozinhos. Maurício e Maria fazem parte de uma turma de 30 alunos com idades entre 50 e 77 anos. Todos estão matriculados no Programa Brasil Alfabetizado, desenvolvido pela Secretaria de Educação de Ribeirão Corrente em parceria com o governo federal.
A turma estava ansiosa para o primeiro dia de aula. O aposentado Manuel Antônio Pimenta, 53, não largou o chapéu e o guarda-chuva nem um minuto. Estava bem animado com o novo compromisso. “Sempre morei na roça e não tive oportunidade de estudar. Agora quero aprender a ler e escrever. O estudo me fez muita falta na vida”.
A dona de casa Rosalina dos Anjos Melo, 65, disse que só sabe assinar o próprio nome. Para ela, o curso de alfabetização é a grande chance de ir além. “Tenho 12 filhos e todos estudaram. Não quero morrer sem saber ler. Quero aprender tudo”, disse. Ela estava tão animada que, no primeiro encontro com os colegas, levou pasta com caderno, lápis e borracha.
Outra que levou o material foi a dona de casa Irene Siqueira Santos, 77. Tudo foi colocado dentro de uma sacolinha de papel com desenho de bichinhos. “O maior sonho da minha vida sempre foi ler e escrever. Sempre tive que pedir ajuda para saber o que estava escrito. Não quero mais isso. Quero ler sozinha”, disse.
O casal Senhorinha Rosa de Oliveira, 68, e Angelino Nazarino, 66, também não quer mais saber de ficar em casa assistindo TV. “Um vai animar o outro. E assim a gente vai aprender juntos. Não queremos faltar a nenhum dia de aula”.
O prefeito Airton Montanher e a primeira-dama Aninha Montanher compareceram ao lançamento do projeto para incentivar os alunos. “Transformamos o programa de alfabetização em realidade. O curso é um suporte para os mais velhos que não tiveram oportunidade de estudar”, disse o prefeito.
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