Bolsa de Valores. Coisa de homem, certo? Errado. A presença de mulheres neste antes espaço quase restrito ao sexo masculino é cada vez mais cons-tante. Elas já representam um quarto do total de investidores e crescem, a cada ano, 35% mais que os homens. E Franca está em sintonia com o mercado financeiro brasileiro: 26% de quem tem dinheiro aplicado na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pertence ao “sexo frágil”.
Para investir, não precisa ser um expert em ações. Nem ao menos conhecer muito sobre o complexo mercado acionário. É o caso de um grupo de empresárias francanas que entraram na bolsa em 2006 e formaram o primeiro clube de investimento em ações da cidade. Lucraram, em um ano, 31% sobre o que investiram.
No grupo, mulheres com idades entre 25 e 65 anos. São comerciantes, empresárias da indústria, prestadoras de serviços e profissionais liberais que se uniram para ter um poder de fogo maior que investidores isolados. Junto, explica a co-merciante e investidora Marilda Rodrigues Neves Moge, o grupo consegue adquirir lotes de ações que não estariam ao alcance de cada integrante, isoladamente.
A idéia surgiu depois de uma palestra de representantes da Bovespa para um grupo de empresárias da Acif. No princípio, eram 36 amigas. A idéia deu tão certo que o grupo cresceu e hoje são 43 mulheres que aplicam pelo menos R$ 100 por mês. Esse é o valor mínimo, sendo que até o limite de R$ 5 mil, cada integrante fica livre para investir quanto quiser, sem que nenhuma saiba quanto a outra aplicou. “Por seis meses fizemos apenas uma experiência para que pudéssemos avaliar resultados e nos sentir mais seguras”, explicou Marilda.
A “brincadeira” é simples. Cada uma das sócias entra com o capital e contrata um admi-nistrador, que fica responsável por comprar e vender ações. As “meninas” do clube francano comemoram o resultado deste primeiro ano de aplicações, com rendimento de 31% sobre o ca-pital aplicado de aproximadamente R$ 42 mil. Na média, é como se cada uma delas tivesse investido pouco mais de R$ 900 e tivesse, hoje, mais de R$ 1.270.
O rendimento é significativo. Quem aplicou em caderneta de poupança no ano passado teve rendimento aproximado de 6%. Os fundos de renda fixa, CDI e CDB, alcançaram perto de 10%. “Até algum tempo atrás eu acreditava que isso era só pra quem tinha muito dinheiro”, lembrou, orgulhosa, Maria Rodrigues.
Ao final de pouco mais de um ano, elas possuem perto de R$ 55 mil em ações de várias empresas, entre as preferidas Vale do Rio Doce e Natura. Nesse tempo não houve nenhuma retirada, ou seja, o que as mulheres investiram e os lucros estão em forma de ações.
Perde-ganha
Mas lembre-se de que a Bolsa de Valores é uma aplicação de renda variável em que você pode tanto ganhar, quanto perder dinheiro e todo investidor tem características que vão nortear suas aplicações. O Clube das Mulheres Empreendedoras de Franca, por exemplo, define seu perfil como conservador, ou seja, procura aplicações mais seguras.
Para o analista financeiro da corretora Planner na cidade, Wagner Marques Vieira, ter um perfil bem definido é um dos primeiros passos para acertar na hora de investir em ações. Outras boas dicas são: procure um agente de investimentos credenciado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), aplique os recursos em diferentes setores produtivos para amenizar os riscos e, especialmente, pense em longo prazo.
Para quem ficou interessado, o grupo de Franca não é fechado. As informações sobre como aderir e participar das reuniões estão na Acif. O único senão é que homem não entra de jeito nenhum. “Alguns maridos das participantes quiseram entrar, mas não foram aceitos”, disse Marilda.
A modalidade de investimento, entretanto, não é restrita somente às mulheres. Homens também podem organizar seus próprios grupos.
Colaboraram Pablo Santos Pinto e Eduardo Schiavoni
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