Para a família de Mauro Ramos Silveira, sapateiro que foi executado com cinco tiros no último domingo pelo sargento reformado Vicente de Paula Rezende, o crime foi premeditado. A alegação do autor, que disse ter matado motivado por ciúmes, segundo familiares da vítima, não passa de uma estratégia de defesa. Ainda segundo eles, Silveira vinha recebendo ameaças e chegou a falar para três pessoas de sua família que corria risco de morte.
Ontem, o filho e o primo de Mauro, que presenciaram sua morte no feirão de veículos em frente ao Parque de Exposições “Fernando Costa”, acompanhados da irmã da vítima, resolveram contar o que sabiam sobre as divergências entre o sapateiro e o sargento. De acordo com Neiva de Souza Silveira, seu irmão nunca manteve um relacionamento extraconjugal com a mulher do policial, prima da vítima. “Essa prima minha tem uma filha que não é do marido. Assim ela nos contou. O marido dela a apertou para falar quem era o pai da menina. Ele é um psicopata. Com medo, ela falou que era do primo dela, no caso, meu irmão. O primeiro nome que veio na cabeça dela foi o do Mauro. Desde o ano passado, o marido dela vinha ameaçando meu irmão”, disse.
Ainda segundo os familiares de Mauro, em dezembro do ano passado, Vicente havia encontrado a vítima e a ameaçado de morte, inclusive chegou a apontar um revólver em sua direção. “Ele armou uma cilada para encontrar com meu irmão. Neste encontro, o Vicente encostou o arma na boca dele dizendo que ele tinha que confessar que estava saindo com a mulher dele. Como ele ia negar se estava com a arma na boca?”, indagou Neiva.
As ameaças que o sargento reformado vinha fazendo ao sapateiro não foram registradas na polícia. De acordo com Valteir Ramos Silveira, primo da vítima, ele e mais duas pessoas sabiam do caso.
“O Mauro me procurou e contou sobre as ameaças do Vicente. Ele pediu para que ninguém fosse informado da briga dos dois, pois se a história vazasse ele poderia morrer. O Vicente armou tudo e estava com planos de matar o Mauro. A mulher do Vicente sabia e não evitou a tragédia. O Mauro nunca teve um caso com ela”, disse Valteir.
Horas antes do assassinato, o sargento chegou a ligar na casa dos pais da vítima a procurando. “Ele ligou e perguntou do Mauro. Meu pai não sabia de nada e disse que ele estava no feirão vendo carros. Meu irmão tinha muito medo que pudesse ser assassinado, tanto que me falou que se algo lhe acontecesse seria o Vicente o criminoso”, disse Neide Ramos, outra irmã do sapateiro.
A reportagem do Comércio tentou contato com a mulher do sargento, mas ela não foi encontrada em sua residência no Jardim Ângela Rosa. Vizinhos não souberam informar seu paradeiro.
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