Ler é uma das atividades que mais estimulam o cérebro. A leitura constante representa, para a massa cinzenta de uma pessoa, aquilo que o exercício físico regular é para a modelagem corporal. Sem ginástica, com o tempo, qualquer corpo torna-se flácido. O mesmo acontece com o órgão pensante: a ausência de palavras escritas pode transformá-lo em pura flacidez, além de sérios problemas como olhar parado, boca aberta e alguns outros sintomas mais.
Vale também destacar que todos aqueles adeptos da prática de leitura acabam tendo uma vida mais longa, com a enorme vantagem de ainda ter uma velhice mais ativa, quase sem tombos. E, como se sabe, a queda é um dos grandes males de quem tem uma idade avançada. Então, além da quantidade enorme de conhecimentos advindos do ato de ler, agrega-se esse também, ou seja, serve como fator preventivo do equilíbrio do corpo, podendo até combater o surgimento de doenças neurológicas degenerativas.
Mesmo assim, tem pouca gente lendo constantemente nos dias de hoje. A prova disso está nos resultados dos mais diversos exames de leitura e conseqüentemente de escrita realizados por variadas instituições públicas ou particulares. Tornou-se lugar comum alegar que o despreparo generalizado das pessoas é culpa da escola. O que não deixa de ser verdade. Mas somente em parte.
Porque, assim como a educação, o hábito de ler acontece muito mais por imitação. Desta forma, ele deveria começar em casa, com a família.
Isso não quer dizer que depois a escola não possa remediar. Só que uma nova política de aprendizagem precisa ser adotada. Há correntes pedagógicas preconizando uma volta de estilo. Hoje o aluno encontra tudo quase pronto. Escrever é uma atividade fora de moda. Nesta linha, quase não há leitura. Pois para escrever, torna-se necessário, pelo menos, ler antes. Tendo o material impresso, quem é que vai se preocupar em fazer anotações, o que já seria uma maneira de praticar a leitura!
Uma outra atividade em extinção é a leitura em voz alta na sala de aula. De nada adianta a escola procurar incentivar com programas obrigatórios, como: ‘Projeto Leitura’ ou ‘Hora da Leitura’, aplicados simultaneamente por todas as disciplinas. Isso não funciona. A ato de ler deve ser uma bandeira de todas as matérias, com maior ênfase em Português, é lógico. Mas sem a obrigatoriedade pré-estabelecida, uma vez que a escola por si só já significa ensinar/praticar a ler, ação transformadora e geradora de grande parte do conhecimento humano.
O espaço acabou. Mas o assunto, não. Num próximo artigo, serão mostradas algumas idéias para incentivar o hábito de leitura.
ANTÔNIO ARAÚJO é professor. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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