Meu nome é Eduardo Lemos, sou francano e jornalista e confesso ter sentido vergonha das duas coisas ao ler a matéria do Comércio da Franca sobre o estudante Caio Meneghetti (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=26673). Entendo que o fato, que teve extrema repercussão, seja acompanhado mesmo de perto por vocês; afinal, trata-se de um acidente grave e de um cidadão da cidade. Não estou, no entanto, de acordo com o repórter, em citar os endereços da família - o antigo, de residência, e o de trabalho da mãe de Caio. Isso não ajuda em nada e, ao contrário, só faz piorar ainda mais a situação. Citar opiniões veiculadas em um lugar como o Orkut, um passatempo para a maioria dos membros, não é lá muito confiável. Mas é neste exemplo usado pelo repórter que vemos a demência de se colocar endereços em uma matéria de jornal: o ‘ódio’, como vocês chamam, ao estudante francano já é grande demais. Divulgar locais onde a família pode ser encontrada só me faz pensar que o jornal, por falta de informações relevantes, apelou para o sensacionalismo barato. Deixem que a Justiça faça justiça. A mídia deve se limitar a cobrir, divulgar e investigar o caso; não a incitar a violência e a polêmica barata. Espero de coração que vocês, como jornalistas sérios que pregam ser, publiquem a minha carta.
Eduardo Lemos
em São Paulo (SP), é repórter do site Vírgula/Jovem Pan
*****
NOTA DA REDAÇÃO — Discordamos do leitor. Ao divulgar os antigos endereços do estudante e de seus pais em Franca, pretendeu-se identificar, sem margem de dúvidas, as pessoas envolvidas no triste acontecimento. Vários meios de comunicação da região nordeste do Estado estiveram no endereço atualmente ocupado pela família em Ribeirão Preto, inclusive entrevistando vizinhos. Em seus 92 anos, este Comércio jamais estimulou ou pactuou com a violência e nem incitou seus leitores a aceitá-la. Fazer isso seria desrespeitar a capacidade de discernimento e o livre arbítrio de cada um. As informações contidas no texto são todas relevantes. O Comércio não reconhece, como grafa o leitor, “sensacionalismo barato”, recurso apreciável. Ao contrário. A verdade e a ética, colunas mestras do exercício do jornalismo diário a que nos dedicamos, é que garantem a posição de mídia hegemônica e o respeito que desfrutamos, há quase dez décadas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.