Com ciúme da mulher, sargento mata sapateiro


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Policiais isolaram local onde sapateiro foi atingido com cinco tiros. O crime aconteceu na presença de várias testemunhas.
Policiais isolaram local onde sapateiro foi atingido com cinco tiros. O crime aconteceu na presença de várias testemunhas.
“Deu mole, eu canto mesmo”. A infeliz frase teria sido a última proferida pelo sapateiro Mauro Ramos da Silveira, 47. Domingo, 12h30. O feirão de veículos realizado diante do Parque de Exposições “Fernando Costa” já estava com movimento reduzido. Gritos de comerciantes oferecendo espetinhos, cerveja e CDs piratas faziam parte do cenário. Cinco estampidos se misturaram à barulheira e provocaram correria entre os freqüentadores. O alvo foi o sapateiro Mauro, morto na frente do filho e do sobrinho devido a um suposto acerto de contas. Autor dos disparos, o sargento reformado da Polícia Militar Vicente de Paula Resende, 51, foi preso durante a tentativa de fuga. Assassino confesso, o policial disse que a vítima teria “cantado” a mulher dele. Foi o primeiro homicídio do ano em Franca. Há 74 dias, a polícia não registrava assassinatos na cidade. O período de calmaria foi quebrado no início da tarde de anteontem. Poucos populares transitavam pelo feirão. Mauro caminhava entre as barracas, junto ao filho, de 21 anos, e a um sobrinho, que queria comprar um carro, quando foi abordado pelo sargento, que atuou em Franca por 15 anos. O encontro foi rápido. Não se sabe ao certo o que falaram. “Eu estava por perto e só escutei os tiros. Quando me virei para ver o que estava acontecendo, ele guardou a arma na cintura e saiu correndo. Foi um susto muito grande e fiquei com medo de ser atingido por uma bala perdida”, disse uma testemunha. [FOTO2] O sapateiro foi baleado nas costas, tórax e cabeça. Enquanto a vítima era socorrida para o hospital, o sargento correu em direção a sua Parati, que estava perto da sede da 5ª Companhia da Polícia Militar. O tenente Viana saía da base e avistou o criminoso entrando no carro. “Efetuamos um disparo de advertência, sem acertá-lo, mas ele não parou”. Uma perseguição teve início e o autor foi detido na Rodovia Felipe Calixto. Dentro do carro a polícia apreendeu o revólver calibre 32, usado no crime. Na casa dele, no Jardim Ângela Rosa, a polícia apreendeu outra arma, um revólver calibre 38. O sargento foi conduzido ao Plantão Policial e autuado em flagrante por homicídio. Por ser um policial reformado, foi levado para o Presídio Romão Gomes, em São Paulo. Ele deu entrada na cadeia à 1 hora da madrugada de ontem. Ainda na delegacia, falou com exclusividade com o repórter André Poeta, da Rádio Difusora, e disse que matou por motivos passionais. Mauro morava no Parque Vicente Leporace. Era casado, pai de três filhos e primo da mulher do sargento. Seu corpo foi sepultado, ontem à tarde, no Cemitério Municipal de Cristais Paulista, com trabalhos da Funerária Francana. A reportagem do Comércio tentou contato durante toda a tarde de ontem com a mulher do sargento. Sua residência, no Jardim Ângela Rosa, permaneceu fechada e aparentemente sem ninguém durante todo o dia. O advogado da família, Paulo Sérgio Stradiotti, disse que ela está em local incerto, “com medo de represálias”. Ele ainda disse que sua cliente deverá prestar depoimento assim que for chamada na delegacia.

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