O sargento Vicente de Paula Resende entrou para a Polícia Militar no dia 1º de novembro de 1977. Trabalhou no Batalhão de trânsito em São Paulo e se apresentou em Franca no dia 30 de outubro de 1981. Em agosto de 1996, entrou para a reforma alegando problemas de saúde. Nos últimos anos de serviço, vinha reclamando de dores na coluna e trabalhava apenas como guarda do quartel. Segundo o major Brandão, subcomandante do Batalhão, ele nunca respondeu a processos disciplinares. “Era um cidadão tranqüilo e pacato”.
Entrevistado pela Difusora, o sargento afirmou que matou motivado por ciúmes. “Há alguns dias, ele cantou minha esposa (que era prima dele). Não sei se foi no ponto (de ônibus) ou em outro lugar, mas ela não aceitou, pois disse que respeitava o marido”.
Ainda de acordo com a versão do autor, a vítima teria cantado a mulher novamente. “Hoje (domingo) fui ao feirão e perguntei por que ele havia mexido com ela. Ele disse: ‘Deu mole, canto mesmo’. Foi quando perdi a cabeça e fiz esta besteira. Estou arrependido”.
O sargento disse, ainda, que, “se tivesse uma fração a mais de segundo para pensar”, não teria matado. “No momento, o sangue ferveu. Pensei que ele fosse voltar a cantar minha mulher de novo. Não sei o que aconteceu. Não agüentei. Acho que a adrenalina subiu. É isto daí”.
Uma parente da vítima também falou com a reportagem. Disse que Mauro vinha sendo ameaçado desde o ano passado pelo sargento. “A mulher dele (do policial) inventou esta história para se vingar do marido, pois ele tem uma filha fora do casamento. Em janeiro, ele marcou um encontro com o Mauro, alegando que pretendia vender um terreno. Na verdade, estava armado e disse que, se ele confessasse, seria perdoado. Com medo de morrer, Mauro confessou o que não havia feito”.
Ainda de acordo com a parente, o sargento prometeu que o caso seria esquecido, mas continuou com as ameaças. “Falava que já havia matado outras pessoas e que não se importaria em matar de novo. Ligou para a família pedindo informações do paradeiro do Mauro. Ontem (domingo), pegou ele à traição e o matou”.
Mauro Ramos Siveira era cortador. Casado há 22 anos, morava no Parque Vicente Leporace I. Pai de três filhos com idades de 23, 21 e 18, ele estava no feirão de veículos acompanhando um sobrinho, que pretendia comprar um carro, e do filho de 21 anos.
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