Lúcia Helena Silva Martins, 55, soube na sexta-feira, 15, às 9 horas, que sua mãe estava viva e queria revê-la. Três horas e meia depois, tempo para dar entrevistas, arrumar as malas e almoçar, a filha estava dentro de um carro do jornal para viajar 400 quilômetros e, assim, rever Maria Francisca.
Há 40 anos longe, ela não lembrava sequer do rosto da mãe. Como esperado, a viagem foi de pura ansiedade. Lúcia viajou o tempo todo olhando a paisagem pelo vidro e muito pensativa.
Na primeira parada, num posto de Ribeirão Preto, Lúcia fez um desabafo. “Vai chegando perto e o coração apertando cada vez mais. Estou com medo de não agüentar. Estou pensando em como ela é, como vai estar. Não me lembro mais dela”.
A viagem ainda serviu para se lembrar de outras passagens da infância. Quando foi deixada pela mãe, tinha 10 anos. Aos 15, esteve com os irmãos em São Paulo e conseguiu o endereço onde a mãe vivia.
“Fomos à casa dela. Nos abraçamos e choramos muito. Mas depois ela se mudou e não achamos ela nunca mais. Só agora, depois de 40 anos”.
Lúcia falou da falta que a mãe fez na sua vida e na dos irmãos. “Meu pai morou com outras mulheres, mas mãe é mãe. Quando ela partiu, nós éramos muito pequenos. Lembro que minha irmã menor chorava pedindo a mãe. Foi difícil demais viver longe dela. Todo Natal e Dia das Mães eu ficava triste e chorava por falta dela. Agora isso vai mudar”, disse.
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