Recentemente a televisão informou sobre assassinatos em série, principalmente nos Estados Unidos. Surpresos e angustiados, todos nos perguntamos sobre a razão destes acontecimentos. Se fizermos uma análise da sociedade norte-americana, com seu poderio econômico, sua riqueza, a atitude do matador é ainda mais injustificável. Ao se procurar entender o comportamento do infeliz atirador, verificar-se-a que freqüentou boas universidades, filho de pais com bom poder aquisitivo, saudável e freqüentador das festas de elite. Ora, então por que tomou tal atitude?
Se isso se desse nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, dir-se-ía que foi a miséria a causadora do infortúnio. Lá nos domínios do Tio Sam, não.
Temos insistido nestes comentários mostrando que o que está errado é o ponto de vista sob o qual se orienta a sociedade. A sociedade norte-americana, especialmente, gira em torno do objetivo do êxito, da vitória, do sucesso. Os valores são meramente materiais.
Mas, não é um povo voltado à religião? Não é lá que se divulga a Bíblia com tanta intensidade? Não estão lá as diversas sedes religiosas do mundo? Será que o Cristianismo que se prega por lá não foi eficaz no combate ao materialismo? Evidentemente, o que está faltando para os americanos, bem como, para todos nós do mundo atual, é a vivência dos postulados cristãos.
Nunca se falou tanto do Cristo como atualmente. Nunca se divulgou a mensagem cristã como agora. Mas, a principal divulgação do ensinamento cristão ainda está por fazer. É a divulgação feita pela atitude, pela mudança de hábitos e valores. Precisamos viver o Cristianismo e não pregar o Cristianismo. De que adianta o Cristo estar em “out-doors” se não está em nossos corações? De que adianta colocar a mensagem belíssima do Cristo em dísticos e não colocá-la em nossos atos? De que adianta dizermo-nos cristãos e guerrearmo-nos constantemente pela primazia religiosa?
Chegou a hora de deixarmos o discurso e assumirmos a atitude legítima. Não é possível mais continuar com o “faz-de-conta”. O mundo está nos cobrando. Que deixemos de lado o fanatismo, o exclusivismo, o partidarismo, e nos unamos para mudar o mundo. E a mutação começa em nós mesmos. Ficou vazio o discurso do “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Se quisermos um mundo melhor todos devemos melhorar. Isto se chama tomada de consciência. Isto é tomada de decisão.
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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