A fé que move


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Há cinco anos, Flávio Fernandes Luna, 22, renunciou ao convívio com os pais, deixou de ir para a balada com os amigos e abriu mão da oportunidade de namorar. Tudo para se dedicar à vida religiosa. Filho caçula de uma família tradicionalmente católica, ele surpreendeu a todos quando, aos 17 anos, anunciou que entraria para o seminário. A decisão foi tomada depois que Flávio participou de um encontro vocacional da Jufra (Juventude Franciscana) em 2002. “Aceitei o convite de um amigo para participar do grupo e me encantei. Senti um chamado muito forte de Deus e decidi que era isso que queria para a minha vida”. Flávio vive no Convento Santa Maria dos Anjos, na Estrada que liga Franca a Ribeirão Corrente, e segue os ensinamentos dos franciscanos. Como ele, outros 21 jovens seminaristas vivem na Diocese de Franca, que compreende 20 cidades, 54 padres e 30 paróquias. Na região, existem três seminários que seguem congregações diferentes: o Diocesano, o Franciscano e o Agostiniano. A rotina de um seminarista, independente da congregação, é voltada para os estudos e a oração. O dia começa cedo, às 6 horas da manhã, com um instante de prece e celebração de missa, e só termina às 22 horas, depois de um momento de reflexão. Ao longo do dia, eles ainda se divertem em atividades recreativas (como assistir TV, ouvir músicas, disputar jogos, como uma partida de futebol, etc.) e passeios a shoppings ou cidades vizinhas duas vezes por mês. “Não sinto falta de nada. Só saudades dos meus pais e amigos”, disse Adriano Aparecido Cláudio, 23 anos, que é colega de Flávio no seminário. Como integrante do seminário, o futuro sacerdote só consegue ver os familiares três vezes por ano. “No início, isso não é fácil, mas aos poucos vamos amadurecendo a idéia e nos acostumando”, disse. A família de Adriano mora em Sertãozinho. “É complicado para eles terem de vir até aqui”. Para se tornar um padre e completar a formação religiosa, os seminaristas precisam enfrentar dez anos de estudos. Durante este período, têm aulas voltadas principalmente para a filosofia e a teologia. “É como se cursássemos uma faculdade, mas em tempo integral”, disse Adriano. Apesar de ainda serem jovens, os dois não sentem falta das baladas e dos namoros. “Sempre fui um cara tranqüilo”, disse Flávio. Sobre a abstinência de sexo exigida pela Igreja, ele diz que é preciso muita concentração e maturidade para lidar com o assunto. “Eu tenho desejo como qualquer outro homem, mas com o tempo estou aprendendo a controlar esses sentimentos. Não é fácil”. Para Adriano, toda essa dedicação vale a pena. “É muito gratificante se doar ao próximo e compartilhar o amor de Deus. Embora renunciemos a muitas coisas, aprendemos a respeitar mais os outros, a conviver e ser fraterno com as outras pessoas. Eu sou feliz assim e estou satisfeito com a escolha que fiz”. Tanto Adriano quanto Flávio pensam em se tornar sacerdotes e seguir a vida religiosa quando se formarem em 2012. “Não somos obrigados a nada. Podemos sair e deixar o seminário quando quisermos, mas não é essa nossa vontade. Queremos concluir os estudos e servir a Deus”.

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