Morador ignora cerca e volta a pescar no ‘Piscinão’


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A novela envolvendo o caso “Piscinão” ganhou mais um capítulo no fim de semana. Nem o alambrado, o mato alto e a placa que diz em vermelho: “Entrada Proibida” impedem que moradores invadam o local para pescar. De nada adiantou a Prefeitura ter notificado os responsáveis. O cercado foi arrombado e muitos teimam em ultrapassar a barreira. O Comércio já tratou do caso em outras reportagens desde 2002, quando a construção foi paralisada, mas o problema permanece. Mesmo com os bloqueios e a própria situação do local, a reportagem flagrou no sábado, por volta das 18h30, um homem com vara, molinete e um balde que, possivelmente, continha iscas para fisgar os peixes. No local, existem tilápias grandes que foram colocadas no poço para evitar a proliferação de mosquitos. O pescador não quis se identificar e ainda disse que o jornal o atrapalha a “pescar sossegado”. “Vocês só vêm aqui para atrapalhar a gente a pescar”, disse em voz alta. Questionado sobre a invasão, ele se recusou a responder e atacou a repórter com palavrões. Moradores e pessoas que trabalham nas proximidades da obra afirmaram que as visitas acontecem com freqüência e ainda confirmaram que já viram mais de uma pessoa pescando no local juntas. “Já vi várias vezes dois homens virem aqui com vara e tudo. Crianças, nunca”, disse o farmacêutico que trabalha próximo ao local que não quis ser identificado. A construção fica na Avenida Major Nicácio, Bairro São José, na altura do número 2600, e está tomada por ferros enferrujados, objetos como latas e sacolas e o próprio poço, que tem aproximadamente três metros de profundidade. Foi lá que em janeiro de 2007, o garoto Gabriel caiu e foi salvo de afogamento pela mãe, a sapateira Márcia Jerônima. As fotos do evento renderam ao fotógrafo Tiago Brandão, do Comércio, o Prêmio Esso de Jornalismo. O chefe do setor de Fiscalização e Obras da Prefeitura, Ismael Antônio Xavier Filho, deixou claro que o cercado de ferro que bloqueia a entrada não é suficiente para evitar a invasão. “Já fomos lá e vimos que estava arrebentado. Vamos notificar os proprietários novamente. O local põe em risco a população”, disse ao argumentar que o correto seria fazer um muro. “Uma parede alta seria o mais adequado. Só que, quando fazemos uma notificação dessas, não podemos determinar como deve ser feita”. A Habitat Imóveis, responsável pela obra, disse que em janeiro desse ano retomaria a construção. A justificativa para não cumprir a promessa foi que choveu muito no mês passado e que há alguns documentos no cartório para serem revistos.

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