“Todo homem é dotado de asas. As asas podem ser as mãos, os braços, os membros, o corpo, a inteligência... Às vezes, as asas são um simples dedo indicador, uma vontade, uma mente bem dirigida, um sonho.” (Luiz Cruz de Oliveira).
Fabrício Silva Rodrigues, 26 anos, é a prova disso. Ele nasceu com Síndrome Muscular de Duchenne, uma doença grave, que é progressiva e provoca o atrofiamento dos músculos.
Na noite de sábado, ele foi um exemplo de coragem e superação para os familiares e amigos, que lotaram o teatro do Sesi no lançamento do seu livro de crônicas À Vida. Como Fabrício não movimenta os braços e as mãos, ele escreveu o livro usando um teclado virtual (na tela) do computador com apenas um dedo. “Encontrava-me num dilema: permanecer engaiolado em minha dor ou abrir asas e alçar vôo... Caminharei com o olhar fixo no horizonte. À minha frente só vejo flores. Os espinhos não mais são capazes de ofuscar o seu encanto.”
Durante a cerimônia, apresentada pela médica e escritora Eny Miranda, a emoção tomou conta de todos os presentes, que não contiveram as lágrimas. A Cia. Francana de Dança de Salão e Cia.
Balerina apresentaram valsa e uma dança tribal. Vários músicos cantaram e declamaram textos de poetas e do personagem principal, que assistiu a tudo na primeira fila.
“Fabrício tem viajado no dorso do pensamento... viaja na ponta de seu dedo indicador, que é pássaro, é navio, é clarão de lua, estrela-guia... e tem colhido estrelas, águas límpidas, flores raiadas de sol... que semeia nas páginas deste seu livro, porque Fabrício é também um semeador.” (Luiz Cruz de Oliveira)
Em sua mensagem, Fabrício brindou a Deus, a familiares e amigos.
“Penso que, neste momento, tudo tem cheiro de vida. Tudo tem gosto de vida. E tudo isso me deixa muito alegre e muito feliz... E brindo à Vida. E dou graças a Deus. E dou graças à Vida.”
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