A praça construída em anexo ao campo de futebol do Jardim Paulistano há tempos deixou de cumprir sua função primordial de oferecer lazer aos moradores do bairro. No lugar de famílias conversando nos bancos de concreto e de crianças se divertindo nos surrados brinquedos, traficantes vêm ocupando o espaço para vender drogas. A constatação da ação dos criminosos se deu na noite de sexta-feira, quando a Polícia Civil flagrou e prendeu três homens comercializando cocaína no playground. Eles estavam com 350 papelotes de cocaína, avaliados em R$ 7 mil. Tão absurdo quanto traficar em um local que deveria ser para a diversão pública, foi o fato de um dos acusados estar vendendo o entorpecente para o próprio irmão.
Há cerca de um mês, os policiais da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) receberam denúncias de que traficantes estariam se infiltrando entre clientes de um estabelecimento comercial em frente à praça para vender cocaína, crack e maconha. A negociação corria solta, inclusive, durante o dia. A movimentação formada pelas disputas de jogos no campo de chacrobol ao lado era uma forte aliada. “Tão logo tomamos conhecimento dos fatos, passamos a fazer campana no local. O líder deixava a droga enterrada em um terreno nas proximidades e repassava aos poucos para dois revendedores. Estes escondiam as porções debaixo dos bancos da praça e aguardavam os compradores no estabelecimento comercial, disfarçando, como se estivessem tomando cerveja”, contou o delegado Pedro Luiz Dallaqua.
Os investigadores da Dise passaram a noite de sexta-feira monitorando os passos dos traficantes. Por volta das 22 horas, avistaram os acusados entregando drogas para o motorista de um Gol. “Conseguimos pegar o viciado com duas porções de cocaína e voltamos para a praça, onde prendemos os três traficantes. Depois, fomos até o terreno e encontramos grande quantidade da droga. São cerca de 350 porções avaliadas em R$ 7 mil. Elas estavam dentro de três frascos de plástico, enterrados no fundo do terreno”.
De acordo com a polícia, IAB, 36, seria o chefe do esquema. Ele já havia sido preso por tráfico e passou oito meses na cadeia.
Entrevistado, negou as acusações. “Nem sei porque estou preso. Não vendo drogas, não”. BSB, 19, e um adolescente de 17 anos eram os encarregados de vender a droga. Os três acusados foram encaminhados para a sede da Dise e passaram toda a madrugada de sábado prestando depoimento. Durante a elaboração da ocorrência, uma surpresa. “Flagramos o viciado recebendo a cocaína das mãos do BSB. Na delegacia, ficamos sabendo que são irmãos”, finalizou Dallaqua. Os dois maiores foram para a cadeia do Guanabara e o menor para a Fundação Casa, antiga Febem.
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