Salário da região é o terceiro melhor do Estado de São Paulo


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Se o salário médio na indústria em Franca, de R$ 720, é metade da média estadual, R$ 1.590, o mesmo não se pode dizer dos rendimentos dos trabalhadores rurais da região. De acordo com levantamento realizado pelo IEA (Instituto de Economia Aplicada), órgão ligado à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, o trabalhador rural da área administrativa de Franca é um dos mais bem remunerados. O mensalista da região, por exemplo, só perde em salário para os colegas de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Por aqui, o valor pago é de R$ 500, bem próximo do da região vizinha, de R$ 501. Em Rio Preto, o salário é de R$ 512,5. Agora se a profissão for a de tratorista, nossa região é o Eldorado do Estado. O valor médio dos salários pagos à categoria é de R$ 689, contra R$ 656, valor de referência em Ribeirão Preto. Nesta categoria, a região de Registro é a que tem menor remuneração. Lá, paga-se, em média, R$ 507. A justificativa do economista Antônio Vicente Golfeto para a diferença dos salários urbanos e rurais da região em relação ao Estado é a qualificação da mão-de-obra. “Enquanto a indústria calçadista necessita de uma mão-de-obra em grande quantidade, outras atividades industriais do Estado precisam de maior qualificação com, conseqüentemente, melhor remuneração”, disse Golfeto. Além disso, o que colocaria a região em ponto de destaque seria o salário pago para duas culturas específicas: o café e a cana-de-açúcar. Apesar da alta posição no ranking, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patrocínio Paulista, Eli Marques, diz que os números estão desatualizados e os salários são ainda maiores. “O piso é R$ 425, mas quase ninguém ganha isso. Eu acredito que a média é bem maior. Aqui tem salários de R$ 1 mil. Um retireiro, por exemplo, não ganha menos de R$ 900.”, afirmou. Marcos Elias de Souza, de 48 anos, entra nesse perfil traçado pela IEA. Apesar de desempregado, ele comenta que o salário que recebia para colher café e cortar capim, entre outros serviços, era entre R$ 450 e R$ 500. No entanto, ele também diz que o salário está abaixo do pago na região. “Na outra fazenda que eu trabalhava era maior. Ganhava R$ 350 por quinzena.” Se por um lado a remuneração mensal na região é alta, os estudos do IEA mostram que quando se paga por diária, a região perde espaço. Um diarista, por exemplo, ganha em média R$ 22,73, a sétima colocação no ranking, atrás de outras áreas administrativas de Araçatuba, Barretos e Campinas. O valor mais alto é o pago em São José do Rio Preto, onde o funcionário rural recebe, por dia, R$ 24,65. O mesmo acontece com o volante, que seria o trabalhador que mora na cidade e faz serviços esporádicos na zona rural. A média do salário dele, de acordo com o instituto, é R$ 22,76, também o sétimo melhor do Estado. O valor, porém, é contestado de novo por Eli. “Aqui, ninguém trabalha por menos de R$ 25. Geralmente é R$ 30, R$ 35”.

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