A vocação dos cristãos


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O segundo domingo quaresmal traz o tema da vocação do cristão. Para explicá-lo, a palavra de Deus lembra-nos a figura de Abraão. Tudo começou com a manifestação de Deus a Abraão e com seu chamado a ser pai de um grande povo. Ele viveu mais ou menos 1.850 anos antes do nascimento de Jesus. Com a vocação de Abraão, Deus intervém para formar para si um povo através do qual a salvação atingirá todos os homens. Ele viveu na Mesopotâmia, uma terra muito fértil, irrigada por dois grandes rios. Era a região mais rica e progressista do mundo, pois lá já se tinham desenvolvido técnicas agrícolas muito avançadas, leis sábias, escolas de ensino superior. Mas também havia perturbações políticas e muitos abandonavam a própria pátria. A família de Abraão é um desses grupos. Deus se manifesta a Abraão através dos acontecimentos históricos relatados. Ele os interpreta e entende a vontade de Deus, confia e deixa-se conduzir por Ele. Custa-lhe muito abandonar tudo – terra, pátria, a família de seu pai – e dirigir-se para uma nação desconhecida, habitada por povo pouco hospitaleiro. O desafio que é proposto a Abraão é o seguinte: que deixe o modelo de vida que está levando e que lhe dá segurança, e que siga um caminho completamente novo e desconhecido; deve confiar somente naquele que lhe prometeu uma terra, um povo e a bênção. Deus não lhe revela para onde o quer conduzir, e tampouco lhe indica todas as difíceis etapas que deverá percorrer. O que serve de lição para nós? Do mesmo modo que Deus fez com Abraão, faz conosco. Deus invade nossa vida, rompe os falsos equilíbrios que construímos, promete-nos uma vida diferente, autêntica, repleta de amor e de paz. Para tudo isso acontecer, a pedagogia divina nos conduz manifestando pouco a pouco os passos que devemos dar. A maneira como Abraão respondeu ao chamado de Deus é um convite a não nos encolhermos dentro de nós mesmos, a termos a coragem de abandonar determinadas atitudes, maneiras de pensar e viver, hábitos e costumes que não condizem com o evangelho. A segunda leitura é de um trecho da segunda carta de Paulo a Timóteo. O autor quer reanimar os discípulos de Timóteo em suas duras provações. Lembra-lhes que a fidelidade de Cristo implica riscos ponderáveis e ainda muitos sofrimentos. Não foi fácil a vida de Abraão, nem a de Cristo, nem de Paulo, nem de Timóteo. Tampouco o será aquela dos cristãos. O evangelho escrito por São Mateus nos relata a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor. Jesus galga o alto da montanha. A situação geográfica do local simboliza a facilidade de estar mais próximo de Deus, de falar com Ele, de receber sua revelação. O semblante de Jesus resplandece e suas vestes se tornam luminosas: indicam, sempre conforme o simbolismo do tempo, a presença de Deus na pessoa de Jesus. A nuvem era o sinal de que Deus acompanhava o seu povo. A voz do céu é o modo de apresentar o que Deus pensa de um determinado acontecimento. E Moisés e Elias, quem são? Para os israelitas estes dois personagens representam todo o Antigo Testamento. Significa que todo o Antigo Testamento adquire sentido em Jesus: é ele a explicação e a realização de toda a Lei e de todos os Profetas. Pedro, como de costume, não entende o significado do que está acontecendo e sugere a construção de três tendas para ali permanecerem. Neste ponto Deus intervém para corrigir a falsa interpretação de Pedro: é somente a Jesus que os discípulos devem dar ouvidos, Moisés e Elias desaparecem da cena. Durante o tempo litúrgico da Quaresma Jesus nos ajudará a entender como segui-lo: sempre doando a própria vida, como ele fez. CAMPANHA DA FRATERNIDADE Durante a Quaresma vivencia-se, na Igreja Católica, a Campanha da Fraternidade. Em 2008 o tema central é a vida. Colhido do livro do Deuteronômio, no Antigo Testamento, é oferecido a cada cristão o grande convite de Deus: “Escolhe, pois, a Vida”. A vida é um dom divino para nós. A natureza, o homem, os animais dos campos e das florestas, os rios, mares, as aves, tudo tem o sopro da vida e a vida é manifestação de Deus. Cabe zelar por ela, defendê-la, preservá-la e valorizá-la: é nossa missão! CULTURA DA VIDA Se a vida vem de Deus e por missão temos que zelar por ela, surgiram a continuam surgindo ações diversas que respeitam a vida em todas as suas etapas, da concepção à morte. O respeito aos idosos, a atenção com as crianças, a ecologia, a bioética, as Ongs que defendem pessoas e instituições, o tratamento da água, o cuidado com os rios e tantas outras circunstâncias constituem a “cultura da vida”. CULTURA DA MORTE Auxiliados pelos subsídios da Campanha da Fraternidade é possível refletir sobre o lado triste da não defesa da vida. A chamada “cultura da morte” é o esforço que muitos fazem para atrapalhar o curso natural da vida. A lista que a constitui é longa e entre tantos itens podem-se destacar: o aborto, a eutanásia, o desemprego, a discriminação, a fome, a falta de moradia, os acidentes, as drogas. É “cultura da morte” por não oferecer felicidade mas só tristeza e dor. Escolher a Vida é não dar espaços no pensamento e no coração para que estas coisas não se tornem “realidade” para nós. PARA REFLETIR A Quaresma é tempo de reconciliação e renovação da própria vida. As práticas a serem cumpridas são: oração, luta contra o mal e jejum. Deus não quer que seus filhos sofram. Ele é bondade para sempre!

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