“Ela engravidou porque quis. Sempre deixei avisado que não tinha dinheiro para sustentar um filho. Agora, ela mandou me prender e, como não tenho dinheiro, o jeito é fugir”. A frase acima é do caminhoneiro JBG, 42, morador de uma cidade mineira da região, que diz ter “fugido” de São Carlos por não ter condições de pagar pensão ao filho, hoje com 2 anos. Assim como ele, boa parte de pais (e mães) com dívidas em atraso optam por saírem da cidade onde moram os filhos para não irem parar atrás das grades.
E na maioria das vezes, quem sofre para criar o filho sozinha é a mãe. Cecília Hussein Vitoriano, 27, que trabalha no ramo de auditoria de enfermagem, sabe bem o que é isso. Ela engravidou no ano de 2001, se separou do pai da criança e resolveu entrar na Justiça por não receber a pensão em dia. Hoje, a filha de 6 anos não vê o pai desde os 3. “Ele fugiu. Nunca se preocupou nem em ligar para a filha”.
Essa não foi a única artimanha usada para driblar a Justiça. “Ele já teve a capacidade de fazer vários depósitos com R$ 1 no envelope, mas registrando na máquina a quantia de R$ 380, valor da pensão”. Para tentar dar um jeito na situação, Cecília diz que já tentou de tudo e que não vai desistir. “Receber é um direito da minha filha”.
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