Arroz estragado, carne podre, enlatados e refrigerantes vencidos. Este foi o cenário encontrado, ontem, pela Polícia em supermercados da periferia de Franca e de cidades da região. A operação “De Olho no Produto” mostrou que a qualidade dos alimentos adquiridos pela população deixa muito a desejar. Dois comerciantes foram autuados em flagrante por crimes contra o consumidor. Três estabelecimentos foram lacrados.
A ação foi realizada pela Polícia Civil nas 17 cidades integrantes da Delegacia Seccional e contou com o apoio de policiais militares, bombeiros e fiscais sanitários. No total, 156 homens e 48 viaturas foram empenhados nas buscas. “Nossas equipes visitaram 106 locais diferentes para combater a venda irregular de mercadorias. A finalidade foi investigar prazos de validade, condições de armazenamento, origem, alvará de funcionamento e, até mesmo, a rede elétrica dos imóveis. Foi uma operação de bastante sucesso”, afirmou o delegado Daniel Paulo Radaeli, chefe do Sinpol (Setor de Inteligência da Polícia Civil).
A situação é mais preocupante do que se possa imaginar. Em um supermercado no Jardim Palma, os policiais encontraram grande quantidade de carne acondicionada de maneira inadequada. Os alimentos estavam em embalagens abertas e colocadas no chão do “açougue”. Cenário parecido foi encontrado em um estabelecimento do Jardim Luiza. “São carnes sem procedência, deterioradas ou mesmo estragadas”, contou Fernando Baldochi, chefe da Vigilância Sanitária.
Refrigerantes, iogurtes, queijos e alimentos em geral com o prazo de validade vencido em até seis meses foram encontrados à disposição dos consumidores nas prateleiras. Os produtos foram inutilizados e descartados no Aterro Sanitário, pois poderiam causar problemas de saúde caso ingeridos.
Em Ribeirão Corrente, os policiais encontraram uma vaca inteira que havia sido abatida de maneira clandestina e sem as mínimas condições de higiene. Em Guará, foram apreendidas dezenas de caixas de alimentos suspeitas de terem sido roubadas. “Três supermercados foram lacrados, sendo dois em São José da Bela Vista e um em Igarapava. Funcionavam sem o alvará. Também registramos dois flagrantes por crime contra o consumidor”, contou Radaeli.
Segundo números divulgados pelo Sinpol, a operação chegou ao fim com a apreensão total de 702 quilos de carne clandestina e 1.061 quilos de produtos alimentícios em geral. Estavam estragados ou vencidos. “Outro dado preocupante se refere à quantidade de botijões de gás recolhidos (54) por mau estado de conservação. Uma explosão poderia ocorrer em caso de vazamento”.
As irregularidades constatadas serão apuradas pelas delegacias responsáveis pela área em que o estabelecimento está localizado.
Ao fim do inquérito, os casos serão encaminhados ao Fórum para apreciação da Justiça. “A operação não termina por aqui. Temos em mãos uma lista de outros estabelecimentos que serão visitados nos próximos dias. Nossa intenção é autuar os maus comerciantes e garantir que os consumidores adquiram produtos de qualidade e procedência”, finalizou Radaeli.
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