Não foi só a eleição do Sindicato dos Servidores marcada por confusões. A posse da diretoria, que aconteceu na noite de quinta-feira, também está rendendo críticas ao presidente reeleito, José Nhozinho Ramos, o “Paraná”. Duas servidoras acusam o sindicalista de ter usado seus nomes e imagens para arrecadar votos. Elas, que acreditavam estar inscritas como integrantes da diretoria, afirmam que apenas no momento da posse foram avisadas de que não assumiriam os cargos prometidos.
Neuza Maria Santos e Maria Vilma Pereira dos Santos, servidoras da Saúde, foram procuradas por “Paraná” no início do ano. A proposta era para que elas fossem candidatas na sua chapa. Aceitaram.
Entregaram e assinaram documentos, sem ler. Semanas antes da eleição, os panfletos de campanha estavam espalhados nos setores da Prefeitura. Neles, as fotos de Neuza e Vilma as indicavam como integrantes da diretoria no Conselho Consultivo.
Durante o pleito, as servidoras saíram nas repartições e pediram votos para “Paraná”, que concorria sozinho. Sem quórum suficiente para se reeleger, ele convocou uma segunda eleição. Desta vez, de acordo com edital publicado pela entidade, o sindicalista sairia vencedor com qualquer número de votos porque não tinha concorrentes. Venceu.
Na quinta-feira última, dia da posse da nova diretoria, Neuza e Vilma chegaram cedo ao Sindicato. Foram ao cabeleireiro e se arrumaram todas. Esperaram ser chamadas, mas isso não aconteceu. Após empossar todos os diretores, Paraná informou que elas estariam de fora porque faziam parte da chapa que não participou do pleito. “Ele disse que registrou duas chapas. Uma com membros da região, que foi a eleita, e outra só com servidores de Franca.
É nesta última, segundo ele, que nós estávamos”, contou Neuza.
A situação causou discussão entre os servidores e deixou Neuza e Vilma abaladas. “O Paraná me expôs e me humilhou”, disse Neuza, ontem, no programa “Hora do Cacete”, da Rádio Difusora. A servidora afirmou que conseguiu inúmeros votos para o colega. “Eu confiava nele (Paraná). Via as pessoas falando mal e que não queriam votar e pedia para que votassem por mim. Ele calculou tudo isso. Já sabia que estaríamos de fora e usou nossa influência com os servidores para angariar votos”.
Vilma concorda. “O Paraná me usou. Chegou a passar na minha casa para buscar a mim e meu marido para levar à posse. Lá, me senti ridicularizada. Se ele tivesse avisado antes, teria ajudado na campanha da mesma forma, não precisava ter feito esse papel”. As servidoras afirmaram que vão ingressar com processo na Justiça por danos morais.
“Paraná” foi procurado pelo Comércio, em seu telefone celular, para dar sua versão para o caso, mas disse que não falaria. “Estou em reunião. Não precisa ligar de novo que não vou falar com vocês (do Comércio) sobre isso”.
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