Guerra


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Discordo dos jovens alemães que se alistaram para a guerra pensando que ‘É sublime morrer pela pátria’, por mais lírico que possa soar. Para mim, sublime é viver por uma causa nobre. Não vejo sentido na guerra; é um conflito sem vencedor. O ser humano gosta tanto de guerra porque, com a sua “inteligência”, deturpou tudo. É guerra de países, guerra de torcidas, guerra de raças...! Tem tanta guerra porque há ganância, sede de poder, ódio por divergências políticas, religiosas, etc. Alimenta-se o ódio e não o amor. O arsenal bélico existente no mundo é tão grande que pode banir a vida no planeta. Acumulam-se instrumentos para provocar a morte; despreza-se a vida. Dá para entender o ser humano? Se você tem inimigos e não entende a razão, pois não dá motivos, creia: ou é porque é bom em alguma coisa, a ponto de despertar inveja, ou é porque faz o que lhe incumbe, no estrito cumprimento do seu dever, guiado apenas pela sua íntima convicção e sem temor do julgamento alheio. Tem gente que sente júbilo com o fracasso alheio e odeia o sucesso do outro. Muitas pessoas não sabem aceitar a maneira como a vida dos outros flui; estão tão ocupadas desejando a queda alheia que se esquecem da própria vida. Vivem cultivando o ódio, o ócio mental. Cabeça vazia... vocês sabem. Isso explica o ‘não vou com a sua cara’, as ações insanas movidas pelo fanatismo, pelo preconceito, ataques a homossexuais, prostitutas. Explica até mesmo a audiência enorme de programas como o ‘Big Brother’. Quem é odiado por motivos injustificados não deve se preocupar. Pode até, se houver oportunidade, mostrar a ausência de motivos para o malquerer, mas a mudança do sentimento tem de operar-se na mente do outro, não na da vítima. Cada um tem de lidar com seus próprios sentimentos. Se for para se preocupar com a vida alheia, que seja para ajudar. Cuide-se da própria vida sem deixar de respeitar o tempo e o espaço do próximo. O ódio gerado por razões egoísticas revela a incapacidade da pessoa de administrar o seu ego. É obrigação de cada um ter autocrítica, evitar formar um falso juízo de valor levado pela precipitação, procurar constatar se o mau sentimento em relação ao outro tem mesmo razão de ser, se não se está amplificando os defeitos e ignorando as qualidades alheias. Agindo assim, um sem-fim de conflitos interpessoais deixa de existir. A vida já não é fácil mesmo se banidos o preconceito, a intolerância e outros sentimentos ruins. Mas o homem, desvirtuando os princípios naturais que devem reger suas relações com o mundo, complica mais; desrespeita a diversidade, tenta vencer pela esperteza, na pior acepção do termo, e não pelo mérito, age de forma irracional, direciona para o lado errado o seu imenso potencial. É preciso canalizar a inteligência para a construção de coisas úteis e benéficas à convivência. Não tem sentido gastar uma fortuna incalculável com armas de guerra e reduzir as áreas de cultivo de alimentos quando a maior parte da população do mundo não tem o que comer. É necessário ter a consciência de que todas as nações formam uma só, de que a humanidade abrange todos os povos, de que é preciso compartilhar ao invés de disputar. O ser humano é a parte mais frágil do ecossistema; só não percebe isso porque é dominado pelo complexo de superioridade, a ponto de pensar que pode explicar o mundo e a vida excluindo Deus. Quando cair na real, talvez descubra que se devem cessar as guerras, que se deve dar valor a toda forma de vida e lutar pela sua preservação, que há necessidade de união, de fraternidade, de paz. Só espero que não seja tarde demais. PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça; autor do livro Pensando na Vida, disponível na Livraria Martins, em Franca (SP). E-mail: paulopereiracosta@uol. com.br

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