Fabrício Silva Rodrigues, 26, alimentou desde a adolescência a vontade de escrever um livro para, através das letras desenhadas nas páginas, falar de suas dificuldades, vitórias e levar mensagens de otimismo às pessoas. “Queria mudar o mundo, mas não posso. Espero, com meus textos, transmitir ao leitor idéias positivas e de superação”, disse. Para Fabrício, sua primeira publicação, À Vida, é um verdadeiro brinde à sua história, a Deus e um presente de aniversário. A obra será lançada hoje, às 20 horas, no teatro do Sesi. O jovem completará 27 anos no próximo dia 25 e mostra que é possível criar mesmo em contexto de dor.
O autor escolheu cenas cotidianas, sua relação com Deus, familiares e amigos para produzir suas crônicas. Mas quem percorre com os olhos os 27 textos e baila ao ler as 83 páginas do livro não imagina o caminho percorrido até a obra final. Fabrício nasceu com Síndrome Muscular Duchenne, uma doença grave, que é progressiva e provoca o atrofiamento dos músculos. “A distrofia compromete meu corpo todo. Não ando nem movimento os braços e pernas. Sou totalmente dependente. Para escrever uso o computador, um grande companheiro meu”.
A composição dos textos exigiu dedicação, persistência e paciência. Como não movimenta os braços e as mãos, Fabrício utiliza um teclado virtual (na tela) do computador e no programa Word clica com o mouse usando apenas um dedo sobre cada letra até formar as palavras, depois as frases e finalmente os textos. “É um processo lento. Como demoro para formar as frases, muitas vezes perco a inspiração que tenho para as poesias e crônicas”. Antes de escrever, o jovem disse que costumava rezar e colocar músicas da Enya para se inspirar. “Escrevi o livro À Vida em cinco meses, desde junho de 2007”. A obra foi como lapidar uma pedra preciosa.
“Queria encontrar a palavra certa para expressar o que sentia”.
Algumas das 27 crônicas do livro haviam sido produzidas anteriormente. Fabrício sempre quis publicar os textos e depois de receber apoio e incentivo de três escritores realizou esse desejo.
“O Roberto Zanin, o Luiz Cruz e a Regina Bastianini me apoiaram muito me dando conselhos e me ajudando na revisão dos textos”, disse o escritor.
Fabrício gostou do resultado final. “Achei que o livro ficou ótimo, com textos bonitos e poéticos. Acho que consegui mostrar a beleza que consigo ver mesmo com minha condição física limitada. Quero incentivar as pessoas a viverem com intensidade e enxergarem as coisas boas da vida”.
Para a mãe dele, a dona de casa Maria de Fátima Silva, 53, que perdeu o filho Rodrigo, também portador da Síndrome Duchenne, e é mãe de Ana Paula, que tem Síndrome de Down, as conquistas do filho são um orgulho. Ela sempre chora ao falar dele. “Não tem explicação para o que ele consegue fazer. Sempre acreditei no meu filho. Sou a mãe mais feliz do mundo. Só tenho que agradecer a Deus”, disse, muito emocionada.
MUITO ALÉM DO IMAGINADO
O jovem Fabrício aprendeu a operar os programas de computador sozinho. Mas ele não é autodidata apenas no que diz respeito à informática. Aos 7 anos, freqüentou a escola, mas foi alvo de piadinhas e abandonou os estudos. “Sofri preconceitos na escola porque andava com dificuldade. Não quis mais voltar à sala de aula”.
Mas nem por isso ele deixou de ser alfabetizado. Com ajuda de primos e amigos, aprendeu a ler e a escrever em casa, com 13 anos. Aos 19, começou a produzir as primeiras poesias no computador comprado com uma rifa. Aos 27, lança o primeiro livro. “Antes, escrever era uma forma de desabafar, mas com o tempo percebi que a dor poderia ser uma forma de vencer, superar as limitações. Minha alma é voltada para ser sempre positivo e quero compartilhar isso com as pessoas”, disse Fabrício.
CONTRIBUIÇÃO
Fabrício não recebeu apoio apenas para aprender a ler e escrever. Amigos empresários dele patrocinaram sua primeira obra e assumiram os gastos com a editora. Os mil exemplares impressos serão vendidos a partir de hoje por R$ 10. A renda será usada por Fabrício para novos livros e para montar um projeto social. “Ainda não sei que trabalho será esse, mas tenho planos de ajudar as pessoas”.
À Vida é apenas o primeiro de muitos outros livros que Fabrício planeja escrever. “Meu desejo vai além do primeiro livro. Quero escrever mais e ter minhas produções vendidas nacionalmente. Quero plantar uma semente de otimismo e superação”, disse.
Outras produções de Fabrício Silva Rodrigues podem ser apreciadas no seu blog www.vencendoasbarreiras.zip.net e site www.semeandoesperancas.com.br, criados por ele próprio.
SERVIÇO
O teatro do Sesi (Serviço Social da Indústria) fica na Avenida Santa Cruz, 2870, na Vila Santa Cruz.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.