O caseiro Ademir Domingos Rodrigues andava desconfiado do movimento de estranhos na chácara em que trabalha no Condomínio Recanto Campestre Ouro Verde. O entra e sai de homens e mulheres era intenso, principalmente durante a noite e nos fins de semana.
Incomodado pela incessante campainha do interfone, desligou o aparelho. “Uai, até falei para minha mulher não chegar perto. Tinha uma muiézada e um monte de homem (sic) lá. Achei que era um puteiro”. Não era. A Polícia Civil invadiu o imóvel, ontem à tarde, e constatou que a razão de tanta gente era a existência de um bingo clandestino. Trinta e quatro máquinas de videojogo foram apreendidas. Uma caderneta recolhida pelos policiais comprova que a jogatina gerava muito dinheiro e que havia clientes que chegavam a “pendurar” as dívidas contraídas.
O condomínio fica nas margens da Rodovia Fábio Talarico, que liga Franca a São José da Bela Vista. Era em um barracão da chácara 25, denominada “Recanto das Maritacas”, que o jogo corria solto. O muro alto e o portão sempre fechado bloqueavam os olhares curiosos. Um gramado bem cuidado e uma piscina cercada de coqueiros carregados compõem o ambiente.
Mesmo quem entrasse, dificilmente desconfiaria da existência do bingo clandestino. As máquinas estavam instaladas em uma ala, à esquerda da piscina, fechada com tapumes de madeira. Há vários meses investigando a proliferação de bingos clandestinos na zona rural de Franca, a equipe da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) obteve informações de que a chácara estaria abrigando máquinas de jogos ilegais.
Munidos de um mandado de busca e apreensão, os delegados Wanir da Silveira e Márcio Murari e os investigadores Mauro e Marcos Euclides foram ao local ontem à tarde. Não havia ninguém no local, mas três cestos de lixo repletos de latas de cerveja e a geladeira abastecida de bebidas e petiscos, como queijo provolone, sugerem que a casa foi bem visitada nas últimas horas.
Durante as buscas, os policiais apreenderam blocos de pagamento em branco, onde eram anotados os números da máquina, nome e dados pessoais do ganhador, além dos valores pagos. Uma caderneta trazia uma espécie de contabilidade do bingo clandestino. Somente no dia 9, a casa movimentou R$ 36 mil. Numa das páginas, a relação de devedores. São apostadores que perderam mais do que tinham e ficaram em débito com a casa. Um jogador, identificado apenas como Alex, pendurou R$ 2,5 mil. “A chácara estava sob os cuidados de uma imobiliária. Vamos tentar identificar o responsável. Ele responderá por contrabando, descaminho, exploração de jogo de azar e lavagem de dinheiro”, disse Wanir.
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