Franca, 19 horas. Centenas de estudantes vindos de toda a região se dirigiam para as faculdades localizadas na Avenida Major Nicácio. Chovia e a pista estava escorregadia. Em circunstâncias normais, o trânsito já é caótico no local devido à intensa concentração de veículos e pedestres. Imagine, então, um ônibus lotado de universitários perder os freios num trecho de descida, justamente na hora em que o semáforo fechou? Foi o que aconteceu ontem. O que se viu a seguir foi um rastro de destruição. O engavetamento envolveu sete carros e dois ônibus. Por mais incrível que possa parecer, ninguém se feriu. Os estragos causados evidenciam que o prejuízo material foi grande.
O acidente aconteceu no sentido Centro/Avenida Doutor Alonso y Alonso e teve seu desfecho ao lado do Fórum, em frente às faculdades. O ônibus perdeu os freios ao chegar no semáforo existente acima da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Só foi parar a cerca de cem metros, depois de bater em outro ônibus e chegar à rotatória. Durante o trajeto, provocou estragos em um Corola, em um Kadett, em um Fiat Uno, em um Palio, em um Furgão, em um Escort e em um Corsa.
Evanilson Carlos Fernandes dirigia o Escort prata e levava o irmão como passageiro. Ficou desesperado ao se ver no meio do “strike”.
“Só vi o ônibus descendo e vindo pra cima da gente. Não deu para sair da frente. Ele foi levando tudo, batendo e batendo. Meu carro foi jogado sobre o Kadett. É terrível estar numa situação dessas e não poder fazer nada. O trem é feio mesmo”.
O ônibus causador do acidente havia saído de Cássia (MG) e trazia 40 universitários para Franca. Aluno do quarto ano de Direito, André Fernandes era um deles. “O motorista não conseguiu frear e saiu arrastando os carros. Assustamos bastante, principalmente os que estavam cochilando. Graças a Deus, ninguém se machucou e todos nós agradecemos por isto”.
Ainda assustado, o motorista João Roberto Ferreira, 62, contou detalhes. “Eu estava de terceira (marcha) e reduzi para segunda.
Eu fui parar no semáforo. No que pisei no freio, só saiu aquele chiado de ar e o ônibus continuou andando. O trânsito estava parado. Não tive como fazer nada: foi batendo em um e outro. Foi rodopiando todo mundo”.
Ele disse que trabalha como motorista há 42 anos e que nunca havia se envolvido em acidentes. O ônibus é particular e presta serviço para a prefeitura de Cássia. “Fiz a revisão recentemente. Não sei como que foi dar problema. Me assustei muito, nossa mãe de Deus.
Falei para a turma: segura gente, que vai bater. Na hora que vi o estrago, achei que tivesse coisa pior. Ainda bem que ninguém se machucou”.
Os soldados Ezequiel e Herman atenderam à ocorrência e controlaram o trânsito para evitar que novos acidentes acontecessem. Peritos da Polícia Científica coletaram informações para tentar esclarecer as causas da suposta falha mecânica.
Para movimentar ainda mais o trânsito francano na noite de ontem, por volta das 19h40, uma moto colidiu com uma viatura do Corpo de Bombeiros na região central e deixou como saldo um morto.
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