A trombose e os cartões: uma história real


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O Brasil, considerado o País do Carnaval, continua com sua farra institucionalizada. Cabe muito bem a paródia: “me dá um cartãozinho aí, estou a cem por hora”. O tempo quente dos cartões corporativos deve seguir seu curso natural, ou seja, as CPI’s queimadas no fogo do inferno da hipocrisia generalizada. “Se Você Contar eu Conto” é o enredo dessa escola de samba do Planalto passando pelo Estado de São Paulo. Imagine se o Senador Romero Jucá não aceitará unificar as apurações. “Os crimes alheios sempre foram a estratégia de absolvição dos crimes atuais” – tem esbravejado o senador Arthur Virgílio, na tribuna. O espetáculo está montado e tudo precisa ser visto, todas as alas, porta-bandeiras e as rainhas das baterias do presente e do passado, para que as do futuro se cuidem. Estamos em tempos de Transparência Brasil! Felizmente, o som da bateria da festa dos cartões não chegou aos municípios, até porque é prerrogativa do Presidente da República. Em Franca esse ritmo é desconhecido. As viagens são monitoradas com relatórios, mais atestado fornecido pelo evento que se freqüenta. Uma diária minguada para todos, notas fiscais e devolução do troco, sujeito a críticas se não vier, não é assim secretário Sebastião? Os cartões corporativos, criados para moralizar o gasto público, estariam no olho do furacão da ladroeira, protegidos o suficiente para não serem tragados pelo maremoto das indecências. Perderam-se, no entanto, no mar de lama da corrupção. Esse dinheiro plastificado nasceu de um decreto-lei no mês do cachorro louco, expedido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso: 3892 de 20 de Agosto de 2001. A ementa diz: “Dispõe sobre a aquisição de bilhetes de passagem aérea e compras de materiais e serviços, mediante utilização de Cartão de Crédito Corporativo, pelos órgãos e pelas Entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional e dá outras providências”. Em 2003 foi permitido sacar dinheiro vivo e aí então... os decretos... ora os decretos... Decreto vem de decretum, como semântica, forma participial do decernere, que significa decidir. O instrumento “decreto” foi concebido na calada das muitas noites palacianas e referendado pela Junta Militar em 1969, por ocasião do grande golpe e oportunizado por uma infausta trombose do então presidente Costa e Silva. Então, se não houvesse trombose presidencial, não teríamos esse instrumento negro da história brasileira. Como nova constituição, permitiu aos da época, o advento do Ato Institucional número 5, e todas as perversidades sanguinolentas e agressivas que permitiu sob a égide da Nova Lei de Segurança Nacional. Acompanhe: a culpa pelos cartões corporativos é da trombose de Costa e Silva, a mesma que criou o instrumento de reforço à autoridade ‘decretante’ que inspirou Fernando Henrique, que editou o Decreto 3892, que deu para o Lula, que deu em confiança para seus asseclas que o traíram outra vez. CORPORATIVISMO, SANTO OU DEMÔNIO Como “nem toda feiticeira é bruxa”, o corporativismo teve suas origens e inspiração nas encíclicas, Rerum Novarum do Papa Leão XIII de 1891 e Quadragésimo Anno do Pio XII de 1931. Definiam o corporativismo pontuando que “o princípio de uma união para o conjunto das profissões, se acha no bem comum da sociedade, ao qual devem elas todas e cada uma por sua parte tender, pela coordenação de seus esforços”. Infelizmente, o corporativismo perdendo suas origens, transformou-se numa forma de fortalecimento de grupos em defesa de ideologias arbitrárias e voltadas para o bem pessoal em detrimento do bem comum. Transforma-se no meio de justificação de fins nem sempre lícitos dos governos e seus asseclas. Debita para a humanidade! NO OLHO DO FURACÃO No olho desse furacão, em meio à agitação e ao caos representado pela violência e guerrilhas urbanas, encontram-se as instituições. O furacão é resposta à complacência e hipocrisia dos poderes constituídos, em vias de serem tragados pelo redemoinho, desaparecendo nesse mar de lama. Isto porque, ainda que lentamente, o cidadão está se conscientizando de sua importância e participação na vergonha nacional. Debita para o cidadão! PLÁSTICA MORAL NO PAÍS DO CARNAVAL No mais tudo é Carnaval, com bundas e silicones para o delírio nacional, desfilando no País de Cabral. Afinal, desde Cabral todo mundo rouba, diz a Lucinda. Diante disso, “facciamo la festa”; plástica moral neles, lipoaspiração nas consciências podres nesse reino da Dinamarca chamado Brasil. Sim, dirão alguns, mas cirurgia plástica fica caro. Ora, debita no cartão! FIASCO! E, não é que uma funcionária em Brasília teve a ousadia de usar o cartão de crédito numa barraquinha na Feira dos Importados? Dessas feirinhas, tipo Shopping das Maravilhas (sic) da 25 de março, de propriedade de espertos chineses contrabandistas, que de vez em quando “vão em cana”. Despendeu R$ 40,00 prestigiando a ilegalidade. Faltou ética. Alguns disseram que falta de “ética” foi gastar só essa miserinha (sic). Posso apostar na sua prisão. Bobeou, dançou, nem dinheiro prá defesa sobrou! Que fora!

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