Empenhada em salvar o filho, uma mãe pede ajuda para encontrar um doador de medula óssea e para montar um banco de doadores em Franca. A funcionária pública Juliana Boorati, 27, é mãe de Douglas Boorati Marques, 9, que luta contra leucemia há um ano. Há dois meses, a família descobriu que o garoto precisará fazer um transplante de medula para se livrar do câncer e levar uma vida normal. Mas, para Douglas, conseguir um doador será como ganhar na loteria. A chance de alguém ser compatível com ele é de apenas uma para cada 100 mil pessoas testadas.
Se tivesse irmãos, as chances do garoto melhorariam, já que a compatibilidade nestes casos sobe para 25%. Mas Douglas é filho único. Juliana está tentando engravidar, mas ainda não conseguiu. “Desde que fomos comunicados, deixei de tomar anticoncepcionais, mas não engravidei”.
Como ainda não conseguiu o segundo filho, Juliana decidiu pedir para que as pessoas se candidatem a doar a medula. “Se não ajudarem meu filho, poderão salvar a vida de outras pessoas”.
Em conjunto com outros pais de crianças com câncer, a mãe de Douglas quer também montar um Banco de Armazenamento de Cordão Umbilical de todos os bebês nascidos em Franca. As células do cordão podem ser usadas para transplantes. “É um material jogado fora pelos hospitais que poderia levar esperança e vida para muitos pacientes”, disse.
Quem quiser colaborar deve procurar o Hemocentro e se cadastrar. Para ser doador, é preciso ter boa saúde, entre 18 e 50 anos e apresentar o RG. No local, serão informados dados pessoais e feita a coleta de 10 mililitros de sangue.
Após essa etapa, as informações serão passadas para o Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula), que permite saber e localizar quem quer doar a medula. “Toda semana, os dados do Redome são cruzados com o Rereme (Registro de Receptores de Medula), assim é possível saber quem é compatível com quem no Brasil todo”, disse o médico Marcos Benedetti Filho, diretor do Hemocentro.
Em Franca, o cadastro de doadores é feito desde 2006. Hoje, há 2 mil cadastrados. Benedetti disse que a quantidade é boa, mas poderia ser maior se mais pessoas se candidatassem e se o governo aumentasse a cota para realização de exames. “O Hemocentro só pode fazer 70 procedimentos por mês. Essa limitação nos deixa de mãos atadas”, disse.
No Hospital do Câncer de Franca, em média, dois pacientes recebem indicação de transplante de medula por ano. Atualmente, duas crianças esperam por alguém compatível. didos pela instituição.
CONFIANTE
Juliana e o marido, o policial militar Odimar Marques, 34, farão o exame para saber se são compatíveis com o filho na semana que vem. “Ainda não temos esse resultado, mas decidi me antecipar e pedir a contribuição das pessoas”.
A mãe de Douglas está esperançosa. “Tenho certeza de que Deus vai conseguir alguém para doar a medula para salvar meu filho”. Enquanto não é possível realizar o transplante, Douglas continuará com a quimioterapia. “No caso dele até existem outras alternativas para combater a leucemia, mas o transplante é a mais eficaz. No momento, a indicação para o Douglas é mesmo transplantar”, disse o oncologista Reynaldo José Sant’Anna.
Serviço
O Hemocentro atende de segunda à sexta, das 7 às 17 horas, e aos sábados, das 7 às 12 horas. O endereço é Avenida Hélio Palermo, 4181, no Jardim Santa Efigênia.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.