Benefícios do horário de verão


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Termina neste sábado, 16 de fevereiro, mais uma edição do Horário de Verão. Incorporado à nossa cultura, a medida governamental tem mais de duas décadas consecutivas nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e alguns estados do Nordeste. Mal aceito por uns mas aguardado pela maioria, a medida tem sua importância ligada muito mais à segurança do sistema elétrico brasileiro do que à economia de eletricidade propriamente dita. No Brasil, o horário de verão foi instituído pela primeira vez em 1931. A medida foi reeditada por mais dois anos, ficando sem utilização até 1949. A partir daí, mais quatro edições foram lançadas. Na década de 60, a medida vigorou por cinco anos subseqüentes – de 1963 a 1968. A sociedade brasileira passou a conviver rotineiramente com o horário de verão a partir de 1985. Com a 34ª edição este ano, o Brasil registra a 23ª aplicação consecutiva da medida que termina este fim de semana. A aplicação do horário de verão contribui para diminuir os riscos de uma sobrecarga de consumo em horários de intensa utilização de eletricidade no País. Esse horário, chamado de pico de consumo, estende-se normalmente das 18 às 21 horas. Nesse período, são acionadas as lâmpadas da iluminação pública de milhares de municípios e a maior quantidade de chuveiros elétricos nas residências, além de outros equipamentos eletrodomésticos. Se visualizássemos a situação como num eletrocardiograma, o desempenho de consumo de eletricidade não apresentaria muitas variações entre 8 e 17 horas. Em seguida, visualizaríamos uma subida abrupta formando uma curva em parábola, com duração aproximada de três horas, para só depois voltar à curva típica de consumo. Essa curva, que representa o horário de pico, coloca o setor elétrico nacional em alerta porque a demanda chega muito próxima à oferta de energia. Reduzir essa curva é uma das alternativas bem-sucedidas para evitar esse risco. Com o horário de verão, há um deslocamento nos horários de consumo, pela mudança de hábitos na população e pela entrada tardia da iluminação pública no sistema. Em vez de acionar os eletrodomésticos em casa, uma parcela substancial da população opta pelo lazer ao ar livre, porque a iluminação natural perdura por mais uma hora. Essas ocorrências juntas, por si só, diluem a curva do período de maior consumo, observando uma redução média de 4% a 5%, diminuindo os riscos de uma sobrecarga no sistema elétrico. Os resultados do horário de verão devem ser mensurados a partir dessa ótica e sua aplicação tem sido uma medida de acerto no Brasil também porque provoca economia no consumo de energia, principalmente pela maior luminosidade natural nessa época do ano. RICARDO SIUFI é gerente regional nordeste da CPFL Paulista

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