Aconteceu, no último dia 11, o Dia Mundial do Enfermo. Mas que data é essa? Enfermidade remete a tristeza e sofrimento... Não deveria ser motivo de comemorações....
Seguramente, muita, mas muita gente não pensa assim. Alguns segmentos enxergam a data com os frívolos olhos de “ave de rapina”, comemorando a data com canapés e iguarias acompanhadas dos melhores e mais caros uísques que o dinheiro pode comprar.
Pode soar com certo entusiasmo o Art. 196 da Carta Magna que diz: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.
Bravo! Redigiram bem o texto alentador que o pobre papel aceitou.
A celeridade de evolução que o próprio tempo nos impõe exige adequações nas políticas públicas em promoção de saúde pela busca de estratégias que alcancem de fato a “prevenção”, ou seja, impedir que a doença se instale no corpo humano.
O Programa de Saúde da Família em seus núcleos de atendimento trabalham a prevenção através do acompanhamento da comunidade. Entretanto, a estratégia do PSF ainda é tímida em relação ao impacto social esperado em saúde preventiva que beneficie a população; e a expansão e a democratização do programa para toda a comunidade é a coisa certa a ser feita. Do contrário, torna-se irrelevante, sem os resultados da “generalidade absoluta” prevista pelo SUS.
A resolutividade na saúde com a prevenção de doenças, seja qual for o modelo implantado nesse sentido, confronta diretamente com grandes interesses políticos e econômicos. Indiscutivelmente, os “enfermos” representam lucros astronômicos de grandes indústrias farmacêuticas e hospitalares, fazendo girar a “roda econômica das moléstias” que envolve planos de saúde, laboratórios, profissionais e demais agregados; gerando procedimentos que desencadeiam outros procedimentos e assim, promove-se a sustentabilidade dos segmentos.
Noutro cenário, do lodaçal político – segmento que em parte não tem interesse na implantação de políticas de saúde com impactos sociais resolutivos –, ouvem-se discursos sofísticos (enganadores) que protelam ações de políticas de saúde que urgem pelo bem e manutenção da “vida”; agindo como ‘maquiadores’, falseando o que é preconizado na Lei 8080/90 sobre “a redução de riscos de doenças e de outros agravos”.
Enquanto isso, esmolam ao povo medicamentos “gratuitos” como forma de “remediar” o padecimento físico, na tentativa de impingir um “bom” governo, oferecendo aos cidadãos consultas ambulatoriais relâmpagos, mais uma vez na tentativa de demonstrar competência governamental que, ao invés de sanar o problema de saúde do usuário, acarreta agravamento do quadro pela possível “ligeireza” num atendimento sem diagnóstico preciso.
Lamenta-se que a “enfermidade” seja cobiçada a tal ponto, visando lucros por outros seres humanos que tratam seus “iguais” como “pedaços de carne”. Lamenta-se ainda, que políticos despudorados usem da maior dádiva do homem, que é a vida, como trampolim político, objetivando ter o que dizer e prometer para melhoria dos serviços de saúde, não significando que irá fazê-las, afinal.
A idéia da maioria dos mandatários é sempre procrastinar (adiar e ganhar tempo), pois se resolverem os problemas básicos da saúde, não terão mais para suas poderosas oratórias ferramenta estratégica de tal poder para impulsioná-los ao topo.
RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público, integrante do Conselho de Leitores do Comércio e ex-integrante do Conselho Municipal de Saúde.
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