Terra de degredados


| Tempo de leitura: 5 min
O mundo evoluiu de tal maneira que tornou o homem irracional na sua mais simples expressão. Com a ganância como porta-bandeira, o homem perdeu o respeito a si e ao próximo pelo amor maior ao dinheiro. As instituições políticas sofreram uma espécie de diarréia cerebral, e a casa do povo se tornou antro de fraudes e desrespeito ao dinheiro público, deixando covas abertas para o enterro de muitos que irão morrer de doenças simples e fome. Por aí dá para se ter uma idéia bem clara do quanto este País não leva a sério sua história, sua essência (se é que tem alguma), suas leis, sua dignidade. É de se registrar que o Brasil é um País de todos os forasteiros, menos do brasileiro. Aqui, dá-se mais valor ao que vem de fora, mesmo que seja promiscuo e marginal, do que às suas raízes. Não é à toa que os portugueses, quando aqui chegaram para confirmar a localização e existência do “paraíso”, deixaram entre os índios dois degredados, ou seja, pessoas que haviam cometido crimes em terras lusas. Assim começa muito mal o início da civilização em terras tupiniquins. Mas não ficou só nisso, muitos outros degredados, forasteiros e aventureiros aportaram em solo brasileiro. Pode-se afirmar que o Brasil foi formado pela escória do que havia em Portugal e Espanha. Pode haver futuro para um país formado por degredados? Só podia dar no que está dando nos dias de hoje: muita corrupção, transgressão das leis, improbidade, abuso de poder, falcatruas, pilantragem, bandidagem, violência, e tudo o mais que há de ruim no mundo da criminalidade. Todas essas pizzas que somos obrigados a engolir me fazem lembrar pelo menos de uns dez filmes em TV, cinema e agora DVD, em que os personagens se referem ao Brasil como rota de fuga para a desova de dinheiro obtido com assaltos, lavagem, máfia, escape de fiscos e outros malabarismos da bandidagem internacional. O caso mais famoso foi do inglês Ronald Biggs, ‘O grande ladrão do trem britânico’. Ele ficou famoso com o roubo do trem que ia de Glasgow à Londres, em 1963. Ele e sua gangue embolsaram 50 milhões de dólares, em valores atualizados. Com posse de parte deste dinheiro, Biggs não pensou duas vezes para o lugar ideal de fuga: Brasil. Por aqui ele viveu 35 anos protegido por governantes, políticos, juízes, convivendo com personalidades, socialites, banqueiros. Vivia uma vida de playboy, não devendo em nada para famílias da “high society”, como os Scarpa e os Guinle. Para evitar o retorno às ilhas britânicas, Biggs sustentou muita gente (melhor dizendo subornou ou comprou muita gente). Tanto fez que acabou ficando duro, sem mais nenhum centavo do dinheiro roubado do povo inglês, usufruído no Brasil. Só a título de lembrança: de que maneira Walt Disney retratou o brasileiro em sua seleção de personagens de cartoons? Um papagaio malandro, sacana, vagabundo, picareta e mulherengo. O nome deste personagem é Zé Carioca. Por aí se tem uma idéia de como o brasileiro é visto lá fora. Ainda por cima há vantagens e sorte para ladrões que vivem no Brasil, como no caso de Biggs, que pode se dar o luxo de voltar para o país de origem, receber dinheiro de jornal sensacionalista, publicar livro e morrer dignamente. Enquanto isso, os injustiçados ficam a mercê de um messias que os tirem destas terras de lama podre e fedida, onde paira a escória iniciada por dois degradados deixados aqui como sementes ruins. AVES DE RAPINA A cada dia surgem mais escândalos, roubalheiras e falta de caráter. As revistas semanais estão fartas de matérias que seriam altamente suficientes para que o Estádio do Maracanã ficasse lotado por políticos corruptos. A verdade é que nunca se viu, em tempo algum, tantos desmandos praticados por aqueles que deveriam dar um bom exemplo. Por outro lado, o povo brasileiro tem culpa nessa baderna, por votar em elementos de conduta duvidosa mais que comprovada. Um dia, talvez, o País consiga livrar-se dessas aves de rapina. MARCOS SILVA... Vibrante e com emoção, narrou pela Difusora a primeira vitória da Francana na A-3, contra a Santacruzense, no último domingo, e agora está afiando as cordas vocais para amanhã à noite, quando a “Feiticeira” volta a campo, no Lanchão, para encarar o E. C. São Bernardo, da Região do ABC Paulista. Hoje à noite, no “Pedrocão”, o basquete faz o primeiro jogo da final do Campeonato Paulista contra aquela cidade. Sábado, novo jogo, aqui. NEGATIVO A reclamação é geral contra a perturbação do silêncio promovida por carros de propaganda volante. A população já não mais está suportando tanto abuso. E as motos, com os escapamentos abertos, quem agüenta? Como perguntar não ofende, onde está a tal fiscalização enérgica que seria feita pela Prefeitura, com a recém-criada patrulha do som? POSITIVO Uma senhora muito pobre telefonou para um programa cristão de rádio pedindo ajuda. Um ateu que ouvia, resolveu pregar-lhe uma peça. Chamou seus secretários e ordenou que fizessem uma compra e levassem para a mulher, com a seguinte orientação: – Quando ela perguntar quem mandou, respondam que foi o Diabo! Ao chegarem na casa, a mulher os recebeu com alegria e foi logo guardando os alimentos. Os secretários do homem que não acreditava em Deus, conforme as orientações recebidas lhe perguntaram: – A senhora não quer saber quem lhe enviou estas coisas? A mulher, na simplicidade da fé, respondeu: – Não, meu filho. Não é preciso. Quando Deus manda, até o Diabo obedece.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários