Disputa por lucro de recicláveis vira caso de polícia


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PROTESTO - Cooperados pararam de trabalhar enquanto Prefeitura, Pastoral do Menor e Cooperfran decidiam destino do dinheiro da venda dos recicláveis
PROTESTO - Cooperados pararam de trabalhar enquanto Prefeitura, Pastoral do Menor e Cooperfran decidiam destino do dinheiro da venda dos recicláveis
9 horas, 42 cooperados de braços cruzados, uma viatura da Polícia Militar e 12 guardas municipais. Todos na sede da Cooperfran (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Franca), no Distrito Industrial. A cena aconteceu na manhã de ontem e foi o mais recente capítulo da novela envolvendo a disputa pelos recursos obtidos com a coleta de lixo reciclável na cidade (cerca de R$ 20 mil por mês). De um lado, está a Pastoral do Menor, que tem direito garantido por lei de receber 40% do lucro com a venda do material. De outro, 42 cooperados revoltados com a obrigação de repassar verbas para a entidade e com a saída de Carlos Roberto Alves, administrador da Cooperfran. O problema envolvendo a destinação dos recursos da coleta de recicláveis é antigo. Desde a década de 90 até o final de 2004, todos os recursos eram dados à Pastoral do Menor por causa de um acordo feito entre a entidade e a Prefeitura e não havia qualquer controle. Em dezembro de 2004, isso mudou. Uma lei aprovada pela Câmara determinou que, a partir daquele mês, a divisão dos resultados seria feita da seguinte forma: 40% destinados à Pastoral e os outros 60% para a cooperativa. Funcionou assim até o início do ano passado, quando a Cooperfran decidiu suspender o repasse para a Pastoral. “Eles deixaram de nos passar o dinheiro em fevereiro de 2007. Deixaram de nos pagar para ficar com 100% da venda”, disse padre Ovídio, responsável pela Pastoral. Desde então, o padre vem tentando, de forma amigável, fazer com que a lei seja cumprida. “Como nestes 12 meses não chegamos num consenso, acionamos a Prefeitura”, disse o padre. Responsáveis por todo o trabalho de coleta, os catadores deixaram de repassar os recursos por considerar injusta a divisão imposta pela lei. “A Pastoral não nos ajuda, mas acaba ficando com o nosso lucro”, disse Carlos Roberto. Para tentar um acordo, a Prefeitura convocou uma reunião do Grupo Gerencial, que por lei é quem fiscaliza e administra os recursos provindos do lixo. Composto por Geraldo Silva Filho, diretor da Unidade de Reciclagem da Pastoral do Menor e da Família; Francislene Alves, presidente da Cooperfran; Roberto Nunes Rocha, secretário de Ação Social e Jerônimo Pinto, secretário de Administração, o grupo se reuniu no último dia 7 e chegou a um consenso: a Pastoral abriria mão de parte de seus repasses, passando a receber 25% do total, e a Cooperfran se comprometeria a efetuar a entrega dos recursos a partir da segunda-feira, 11. Na manhã de segunda, Geraldo Luciano Filho foi até a Cooperfran para acompanhar a separação e venda dos recicláveis, mas foi impedido pelos catadores de entrar. Acompanhado do secretário municipal de Desenvolvimento Social, voltou no dia seguinte, mas também não conseguiu entrar. “Fomos até ameaçados de morte e xingados”, disse Roberto Nunes Rocha. Ontem novamente os dois tentaram entrar no prédio da Cooperfran, mas, desta vez, pediram o apoio da Polícia e da Guarda Municipal. “Ficamos com medo de ser agredidos”, disse o secretário. Com os policiais, os catadores que estavam do lado de fora do prédio, em frente ao portão, decidiram permitir a entrada dos representantes da Pastoral e da Prefeitura para uma reunião, mas a imprensa foi proibida de acompanhar. Os jornalistas foram obrigados a ficar fora e os portões ficaram fechados com cadeado. Depois de mais de duas horas de discussão, os catadores aceitaram fazer o repasse de 25% para a Pastoral, mas enviaram uma carta para os vereadores pedindo revogação da lei que determina a divisão do lucro com os recicláveis. A reunião também definiu o afastamento de Carlos Roberto Alves da administração da cooperativa.

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