Remédios de alto custo em falta


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Fila da DRS-8 na Estação: orientação é para usuários ligarem para saber se remédio está disponível a cada três dias
Fila da DRS-8 na Estação: orientação é para usuários ligarem para saber se remédio está disponível a cada três dias
Pior do que não saber se conseguirá marcar uma consulta pelo sistema público de saúde, é o usuário já ter passado pelo médico, ter o diagnóstico e simplesmente não conseguir o remédio de alto custo necessário para amenizar a doença que o aflige. Tal problema tem sido notado com freqüência em Franca. Nos últimos três meses, pelo menos três matérias do Comércio mostraram o dilema de pessoas que ficam horas na fila da farmácia do DRS-08 (Departamento Regional de Saúde), órgão da Secretaria Estadual de Saúde, e não conseguem pegar o remédio. É o que aconteceu com o pintor Osmar de Oliveira. Com 63 anos de idade, Osmar está impossibilitado de exercer sua profissão por causa de uma enfisema pulmonar. Após passar pelo médico, conseguiu uma autorização para retirar o remédio necessário para o tratamento, o Foraseq, que custa em torno de R$ 150. O problema é que, segundo o pintor, o remédio não está disponível na DRS. Osmar, que sente dificuldade até mesmo para falar, diz que há um mês tenta retirar o remédio, mas a resposta é sempre a mesma: ele está em falta. A orientação dada pelos funcionários, explica o pintor, é o de ligar para o departamento a cada três dias para verificar se o remédio já chegou à cidade. Enquanto isso, sem trabalho e sem dinheiro, Osmar aguarda, com dores, sem tomar o medicamento. Ontem, dois outros pacientes procuraram o Comércio para reclamar da ausência de medicamentos. Além do Foraseq, estaria faltando ainda o Lipitor, utilizado para controle do colesterol. O valor médio do medicamento é de R$ 300. A Secretaria Estadual de Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, disse ter o remédio solicitado por Osmar no DRS e que o produto nunca esteve em falta na unidade francana. Já em relação ao Lipitor, a informação foi que o problema seriam atrasos na entrega do laboratório fabricante. Procurado pela reportagem, o DRS disse não estar autorizado a falar com a imprensa se há o medicamento Foraseq na cidade. A assessoria não informou ainda quais seriam os demais remédios em falta na farmácia do órgão estadual, responsável pelo fornecimento de medicamentos de alto custo para pessoas carentes. Quando questionada se a falta de informação não seria por problemas no controle de estoque da farmácia, a assessoria disse que não. “Não, não é isso. São 200 medicamentos. Não é assim tão fácil, tão rápido (saber o que tem e o que não tem no estoque). Tem todo um processo para se fazer estes pedidos”. Enquanto os processos burocráticos da máquina estatal paulista e a suposta falta de medicamentos impedem o fornecimento de remédios, o promotor Paulo Borges diz que a solução é entrar na Justiça com ações individuais. Ele comenta que, atualmente, cerca de 600 ações sobre o problema já estão em trâmite. Uma ação civil pública, que atenderia os interesses de toda a população, já foi aberta pelo Ministério Público. “A ação foi julgada procedente, mas foi objeto de recurso da Prefeitura.”

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