O quê deve pensar a grande legião de trabalhadores, aposentados e pensionistas brasileiros que, após cumprir seu dever, recebe um salário-mínimo por mês (R$ 380,00), ao ver o presidente, ministros e autoridades dizendo que seus salários (de R$ 8 a R$ 20 mil mensais) são insuficientes? Principalmente quando fica sabendo que o ministro e o alto funcionário, além do salário, gozam de residência funcional, empregados domésticos, segurança pessoal e patrimonial, veículos, passagens aéreas e ainda dispõem de cartões de crédito pagos pelo governo, de que sacam o dinheiro que quiserem.
Diante disso, não é difícil compreender o asco, cada vez maior, que o povo tem dos políticos e daqueles que, a mercê das suas posições, usam o dinheiro público em benefício próprio. Compreende-se, também, porque essa elite nababesca se arrepia toda vez que alguém fala de abolir o voto obrigatório.
O descalabro só tem vindo à tona porque a imprensa investigativa e o Ministério Público têm andado bem, prestando relevantes serviços ao País, ao denunciar os desumanos abusos dessa elite malcheirosa, que assalta o erário sem nenhum pudor. O dinheiro que esses figurões gastam para luxos que nunca tiveram quando pagavam as próprias despesas é o mesmo que falta para a saúde, a educação, a segurança, a moradia, o trabalho e outros itens sem os quais o povo não pode viver.
Quem se elege ou ascende a um cargo importante, deveria continuar pagando o aluguel de sua casa, o seu transporte ao trabalho e as despesas pessoais, como faz qualquer trabalhador. Não poderia, jamais, transformar-se no desprezível chupim ou ave de rapina, que escandaliza a nação. Questão de decência!
Senadores e deputados mobilizam-se céleres para instalar CPIs sobre os abusos dos cartões de crédito corporativos. Os resultados das últimas CPIs não os ilustram nem um pouco. Em vez de pensar em novas investigações, que fatalmente chegarão a nada, deveriam tratar de queimar as próprias “gorduras”, que também doem na alma (e no bolso) do povo. Não se esqueçam que cada um dos senhores parlamentares custa mais de R$ 100 mil por mês aos cofres públicos. Um absurdo!
O Brasil carece de ampla reforma administrativa. Eliminar todas as mordomias e privilégios que transformam os pés-rapados de ontem nos ilegítimos nobres de hoje. Mesmo que, para isso, fosse necessário, com toda a transparência, aumentar (ainda mais) os salários. Mas que todos pagassem suas contas pessoais e prestassem contas obrigatória e rigorosamente à sociedade de cada tostão gasto no exercício da função pública.
O governo e a autoridade pública precisam gozar do respeito da população. Mas, como está, isso é impossível...
TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)
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