Por causa de suas igrejas seculares, as cidades históricas mineiras sempre foram referência para turistas, estudiosos e admiradores da arte sacra nacional e portuguesa. Congonhas, Mariana, Tiradentes, entre várias outras, reúnem um precioso patrimônio, cujas construções datam em sua maioria do século 17.
Mais simples em sua arquitetura e bem menos conhecido, há, na região, um circuito de igrejas e capelas que, se não atrai tantos olhares, ainda assim é revestido de grande importância histórica e motivo de orgulho para a população de Ibiraci (MG). Na vizinha cidade, além das duas principais e mais destacadas igrejas, a da Matriz e a de Nossa Senhora do Rosário, outras 17 capelas, espalhadas pela zona rural do município, escondem parte da história da cidade e de sua gente.
Construídas por devotos em meados do século passado, essas igrejas, com o tempo, caíram no esquecimento e, até 2005, estavam abandonadas. Um projeto desenvolvido em parceria entre a Prefeitura de Ibiraci e donos de fazendas mudou essa realidade. O Projeto “Mestre Ataíde” há dois anos vem reformando e restaurando as capelas. “Queremos resgatar a história dessas edificações e ainda investir no turismo religioso”, disse o artista plástico José Limonti, responsável pelo projeto.
Das 17 capelas catalogadas, cinco já foram recuperadas e estão prontas para visitação. “Não se trata apenas de recuperar as igrejas. Tem a importância histórica que também estamos tentando preservar no nosso município”, disse Limonti. Por meio do projeto, as igrejas são restauradas (recebem consertos de telhado e piso) e reformadas (as paredes recebem pinturas novas que contam a história da capela desde sua construção).
O trabalho de resgate histórico começa com uma visita. Limonti faz um levantamento minucioso de tudo o que precisa ser feito no local, como pintura das paredes, troca de telhado e até mesmo parte elétrica. Em seguida, é feita uma pesquisa sobre a fundação da capela e sua história. “Descobrimos que cada uma delas possui uma particularidade interessante a ser contada aos visitantes”.
Somente a partir da pesquisa, que depois se transforma em uma cartilha, o artista programa o que pintará nas paredes das igrejinhas. O trabalho costuma levar mais de um mês até ser concluído.
Para cada unidade, o investimento da Prefeitura não pode ultrapassar R$ 5 mil. O dinheiro é usado para comprar material, e pagar mão-de-obra e publicação das cartilhas. Como nem sempre é o suficiente, muitas vezes os fazendeiros onde estão localizadas as capelas também contribuem financeiramente. “Eles ainda se comprometem a liberar o acesso de visitantes e não cobram pelas visitas”, disse Limonti. Não há previsão sobre a conclusão da reforma de todas as capelas. “Estamos trabalhando dentro do ritmo que é possível”.
Para quem quiser conhecer as capelas já reformadas, a Prefeitura de Ibiraci disponibiliza as cartilhas que contam um pouco da história de cada uma delas e ensinam o caminho para encontrá-las. As cartilhas são distribuídas no Casarão “Capitão Lima, situado na Praça Central.
Já estão prontas e entraram no roteiro dos fiéis que fazem procissão a Capela do Morro dos Quartéis e a de Nossa Senhora das Graças, que ficam a cinco quilômetros do Centro da cidade. Outra que também foi concluída é a da Usina de Peixoto, 28 quilômetros distante. Na maior parte do trajeto, o acesso é por asfalto.
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