Orquestra em família


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A música é definida de várias formas e ritmos. Cada ser humano se identifica com uma nota, uma voz, um canto, uma dança. A expressão determina a individualidade, e quando todos da mesma família resolvem incluir a música na sua vida em comum, tudo fica mais fácil e a orquestra se completa. A família do motorista Jorge Martins, 43 anos, que há 25 anos reside em Franca, esbanja simpatia e afinidade. Na casa dele, uma simples reunião se transforma num verdadeiro show. São tantos filhos, primos e sobrinhos que a orquestra é formada sem demora. Vamos à composição e apresentação dos músicos: Jorge - flauta transversal; Suellen - saxofone; Ellen - violino; Djorgenes - bateria; Misael - trompete; Keila - violino; Wesley - trombone de pisto; Abimael - guitarra e Ábina - violino. O carro-chefe dessa orquestra em família é Jorge. Nas horas vagas ele toca flauta transversal, mas também sabe tocar guitarra, teclado, contrabaixo, bateria... enfim, vários instrumentos que aprendeu sozinho, só de ouvir. Jorge recorda que em 1978, quando morou em São Paulo, participou de uma banda evangélica. Os filhos cresceram convivendo com a música em casa e resolveram seguir os passos do pai. A mais velha, Suellen Oliveira Martins, 22, toca saxofone. Ellen Oliveira Martins, 19, toca violino e Djorgenes Oliveira Martins, 17, manda bem na bateria. Eles aprenderam a tocar os instrumentos nas aulas da Igreja Assembléia de Deus, no bairro Vera Cruz, onde residem. Os irmãos participam da Orquestra da Igreja, que se formou em 2001 com seis músicos e hoje tem mais de 30, sob a regência do maestro e professor Eurípedes Donizete Mendes. O sobrinho de Jorge, Abimael de Oliveira Silva, 20, entrou no ritmo e toca guitarra. E a sua irmã caçula Ábina de Oliveira Silva, 10, é a novata do grupo. Ela começou com violino. Na família de cinco irmãos, apenas um não quis saber de música. Abdiel de Oliveira Silva, 16, toca contrabaixo e Ábia de Oliveira Silva, 18, tem o dom de cantar. Todos também seguiram o pai, Cláudio Silva, concunhado de Jorge, que toca instrumentos elétricos e faz parte do Conjunto Musical da Igreja Assembléia de Deus do Vera Cruz. O outro sobrinho de Jorge, Misael Silva de Oliveira, 22, escolheu tocar trompete. Por enquanto ele é o único da família que vai seguir a carreira musical. A sua irmã Keila Silva de Oliveira, 18, também resolveu acompanhar o irmão e os primos e toca violino. O irmão mais velho, Wesley Silva de Oliveira, 23, toca trombone de pisto. “O meu sonho e de minha esposa era ter filhos músicos. E os nossos três filhos tornaram esse sonho possível. A união das nossas famílias por meio da música é uma dádiva de Deus”, afirmou Jorge. MÚSICO PROFISSIONAL Misael é estudante do quarto e último ano do curso de Música e Instrumento - Bacharel em Trompete, da Unicamp, em Campinas (SP). Ele começou aos 10 anos, na Banda da Escola Municipal Caic. O seu pai, Hiron Bento de Oliveira, cunhado de Jorge, também tocava trompete e era regente do Coral da Igreja Assembléia de Deus no City Petrópolis. “O desejo dele era que algum filho seguisse os seus passos, mas até os 17 anos eu me interessava mais por informática. Só depois levei a sério”, disse. Misael prestou vestibular várias vezes. Em 2004 e 2005 na USP (Universidade de São Paulo) e no mesmo ano passou na Unicamp. Mesmo concluindo o curso este ano, o músico ainda vai estudar em 2009. Ele aproveita o estágio na Orquestra Sinfônica da Unicamp para aprender mais. “Lá eu ganho um salário, moradia e alimentação, por isso pretendo me dedicar inteiramente à música”, afirmou. Em 2003 Misael realizou um sonho. “Acompanhado do tio Jorge assisti no Teatro Municipal de São Paulo ao espetáculo Salomé, de Richard Strauss, apresentado pela Orquestra Sinfônica de São Paulo. Foi incrível”, disse. No ano passado, um fato deixou o músico orgulhoso: ele teve a oportunidade de tocar com a soprano Niza Tank, cantora lírica de renome nacional, num concerto na catedral de Campinas. “Meu objetivo, depois de formado, é conseguir entrar numa orquestra sinfônica. Sei que daqui a alguns anos a de Ribeirão Preto vai abrir vaga e vou me preparar para isso”, avalia o músico, que estuda quatro horas por dia.

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