A volta às aulas não foi da maneira em que uma estudante de 17 anos esperava. Na tarde de ontem, ela foi a uma papelaria da Vila Santa Terezinha e escolheu seus materiais sem se preocupar em pesquisar preços. Levou em consideração a qualidade. Até aí, tudo bem, mas na hora de pagar, ao invés do dinheiro, tirou uma faca da bolsa. Colocou a arma no pescoço da balconista e a puxou pelos cabelos. A vítima caiu e quebrou três dentes. A estudante saiu correndo com os produtos e foi agarrada por um funcionário da papelaria. No lugar da escola, a adolescente foi parar na cadeia.
Eram 13h20 quando a estudante, moradora no Bairro Miramontes, entrou na Papelaria Alvorada, localizada na Avenida Doutor Flávio Rocha. Como se fosse uma cliente normal, começou a separar alguns materiais. “Ela estava sem a lista e escolheu produtos de valores bem elevados. Ia vendo e pedindo. Perguntava o preço para poder pegar sempre o mais caro”, contou o vendedor Luís Fernando Sampaio David.
Ela escolheu 40 itens, entre eles, um fichário de R$ 85, uma mochila de R$ 42,50 e uma caixa de lápis de cor de R$ 20. No total, a compra custou R$ 305,20. Enquanto os materiais eram embrulhados, a estudante disse que ligaria para a mãe a fim de pegar o dinheiro e saiu da papelaria. “Pensei que não fosse voltar, mas logo ela entrou com uma bolsa de bebê e encostou no balcão, dizendo que estava aguardando a mãe dela. Quando a balconista se aproximou, ela virou, colocou a faca no pescoço dela e a puxou pelos cabelos”.
A balconista Daniele Zago Santana, 18, tentou se soltar e acabou escorregando. Bateu a boca no balcão e quebrou três dentes. A estudante não pensou duas vezes: pegou os materiais já embrulhados e saiu correndo em direção ao bairro em que mora. O vendedor Luís Fernando foi atrás e conseguiu detê-la dois quarteirões depois.
“Joguei ela no chão e a imobilizei. Um cliente nosso parou para ver o que estava acontecendo. Pedi para que chamasse a Polícia e fiquei esperando”. Os soldados Rivelino e D. Pereira chegaram rápido ao local e conduziram a menor para o 5º DP.
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Foi autuada em flagrante por tentativa de roubo e encaminhada para uma cela especial da cadeia de Batatais. Em conversa informal com a reportagem, disse que começaria a cursar o 3º colegial ontem à noite em uma escola do Estado. Alegou que precisava dos cadernos e que a mãe não tinha dinheiro para comprar.
A mãe da menor, BJAR, foi à delegacia e ficou revoltada ao tomar conhecimento do que ela havia feito. “Não tô com dó de você, não. Mexer nas coisas dos outros dá cadeia. Por que foi roubar? Trabalhar não é vergonha. Vergonha é o que você fez” (sic).
Chorando, mãe e filha se abraçaram separadas pelas grades. “Eu te perdôo, mas vou te dar uma surra assim que voltar para casa”. No início da noite, a adolescente foi levada para a cadeia. Filha de pais separados, ela tem oito irmãos, dois dos quais também estão presos: um por homicídio e outro por roubo.
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