Demissão de médica põe em risco pacientes com aids


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Os pacientes do DST/Aids estão em pânico. O pedido de demissão de uma médica que atendia no local, em dezembro, sobrecarregou os dois infectologistas que permaneceram. Juntos, são responsáveis pelo atendimento de 1,3 mil soropositivos em Franca e região. Fora os outros pacientes, principalmente de doenças venéreas e hepatite. A situação piorou ontem, após um suposto anúncio da Secretaria de Saúde de que não haverá contratações para o ambulatório. A postura do poder público - não confirmada pela Prefeitura - indignou os dois médicos que ficaram. Tanto que eles já aventam também pedir transferência ou até demissão do DST/Aids. A possibilidade foi confirmada, na noite de ontem, pelo coordenador do ambulatório, Antônio Jorge Salomão. “Se sufocarem a gente, a tendência é sairmos. Não é o que queremos, mas, se ficarmos sufocados, é mais fácil pedir transferência para outro lugar”, disse. “Para fazer um mau atendimento prefiro ir para outra unidade ou pedir demissão”. Segundo Salomão, a alegação da Secretaria de Saúde para a não contratação de mais médicos é que seriam atendidos “somente” de seis a sete soropositivos por dia. “Atendíamos em média de 10 a 13 pacientes por dia (cada um) quando éramos em três médicos. Pode ir agora para 15, 16 por médico”, disse. “Muitas vezes atendemos a família, dando orientação, e não só o paciente. Se formos só em dois, não teremos como continuar a fazer isso”, completou. Outra informação de bastidores é que o acúmulo de consultas poderá refletir também nas outras especialidades do DST/Aids, como nos pacientes com hepatite. Há até a possibilidade de o ambulatório entregar o serviço para a Prefeitura, que teria, neste caso, de incorporar os atendimentos em outras unidades municipais, como o PS “Dr. Janjão”. A Prefeitura teria chegado a abrir uma vaga para a contratação de outro infectologista, mas o candidato aprovado, um médico de Ribeirão Preto, ainda não foi chamado. Há informações, ainda, de que após a contratação, ele não irá para o DST/Aids, mas para outros setores da Secretaria de Saúde. COM MEDO A dona de casa Amanda*, que leva seu irmão Pedro* há oito anos ao ambulatório DST/Aids, disse que o clima lá está ruim. Os pacientes estão desesperados com a saída da médica e temem até mesmo pelo fim do serviço. “Hoje houve o maior auê, porque não vai chegar outro médico. Os próprios médicos que estão lá já falaram que também vão pedir demissão”, disse a mulher. Os pacientes deverão, inclusive, procurar o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, e levar para ele um abaixo-assinado, na tentativa de sensibilizá-lo para a situação. “Amanhã (hoje) os pacientes vão colher assinaturas para levar para o secretário”, disse. Ferreira foi procurado, no início da noite de ontem, para repercutir a situação do ambulatório, em pelo menos seis diferentes tentativas, pelo seu número de telefone celular, mas todas as ligações caíam na secretária eletrônica. Nova tentativa foi feita para sua residência, mas, de acordo com familiares, o secretário estava em uma reunião e não tinha hora para retornar. *Nomes fictícios

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