O rei da casa


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Mimados, superprotegidos, mais inteligentes, disputados, independentes, solitários. Filho único sempre foi sinônimo de adjetivos bons e ruins. Questões como essas, sem contar o tradicional “quando seu pai e sua mãe vão te dar um irmãozinho”, disparado pela tia ou vizinha, foram apontadas por uma pesquisa feita pela Revista Brasileira de Psicologia (Volume 26, número 1) que avaliou o relacionamento entre o filho único, seus pais, amigos e o desempenho escolar. O trabalho foi realizado em um colégio particular de Porto Alegre (RS) com 360 adolescentes de 15 a 19 anos, que preencheram um questionário com perguntas sobre a escolaridade dos pais, se era único, primogênito ou não primogênito, consumo de álcool, tabagismo, drogas, desempenho escolar, comportamento sexual e social. Pais de filhos únicos costumam ser superprotetores e de vez em quando até sufocam suas crias. Este é outro dado apontado pela pesquisa. Dos entrevistados, 30% queriam pais mais flexíveis. Entre os entrevistados que possuem irmãos, esse índice cai para 17%. O estudante Pedro de Paula Júnior é filho único, mas rejeita o rótulo de mimado. A mãe, a faxineira Cléria de Paula, até que tentava fazer de tudo para o filhão, incluindo-se aí colocar comida no prato. Mas ele garante que isso já passou. Na opinião da mãe, isso não foi nada de mais. Ela se justifica dizendo que fez o que pôde por Pedro, já que o rapaz passou boa parte da infância em creches para que ela pudesse trabalhar. Outro caso é o da estudante Angélica Bonfim, para quem os pais formam uma tempestade cada vez que ela sai de casa, mesmo que por cinco minutos. “Para eles, parece que é o fim do mundo”, disse ela. “Às vezes eu queria um pouco mais de confiança”, disse. A psiquiatra Ana Cristina de Pádua alerta que o filho será moldado de acordo com a educação dada pelos pais, independente de serem únicos ou não. “Os pais não podem dar tudo o que o filho quer. É preciso saber dizer não na hora certa. Se eles não prepararem os filhos para o mundo, se o filho achar que tudo acontece por mágica, acabará formando um adulto fraco”, disse. Para o psiquiatra Carlos Henrique Ribeiro Santos, como o filho único tem mais atenção e tempo dos pais ele acaba sendo centralizador. “Dependendo da educação que teve, pode se tornar egoísta e narcisista (que cultua a própria imagem). É preciso ensinar valores como dividir e trabalhar com a família”, disse.

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