A CP (Comissão Processante) formada na Câmara Municipal para avaliar a cassação do vereador Marcelo Mambrini (PMN), acusado por quebra de decoro parlamentar, fará sua primeira reunião na segunda-feira. Será traçado um plano de trabalho, que deverá incluir oitiva com a ex-assessora de Mambrini Lara Rodrigues, interação com o Ministério Público, que apura a denúncia, e uma reavaliação do trabalho realizado pelo Conselho de Ética, que indicou a cassação.
Mambrini foi denunciado à Promotoria por Lara, que o acusou de exigir para si, nos 14 meses em que trabalharam juntos, R$ 800 mensais, que significavam metade de seu salário líquido. Para reforçar sua tese, Lara apresentou um vídeo amador retratando o que seria, na visão do MP, uma das partilhas, além de extratos bancários constando três depósitos de R$ 410 no último trimestre do ano passado. Segundo ela, Mambrini depositou o dinheiro para tentar impedir que ela o denunciasse. O vereador nega a acusação e afirma que Lara o denunciou por “vingança” e “influenciada por funcionários da Câmara” que têm rixas pessoais com Mambrini desde que ele presidiu a Casa, em 2006.
A comissão que julgará Mambrini é composta por três vereadores: Rui Engrácia (PSDB), que é o presidente; Gilson Pelizaro (PT), o relator, e Marcelo Caleiro (PMDB), como terceiro membro. O prazo regimental para a conclusão dos trabalhos é 6 de maio, quando um relatório indicando a cassação de Mambrini ou o arquivamento do processo será apresentado em plenário.
A comissão reavaliará o processo desde sua origem, com a denúncia de Lara ao MP, passando pelas provas por ela apresentadas e dando nova oportunidade para Mambrini se defender. “Faremos um trabalho justo e imparcial. Daremos ao vereador o direito da ampla defesa e do contraditório”, disse Caleiro.
Para que a cassação ocorra, será necessária a aprovação de dois terços da Câmara, ou seja, dez vereadores. O presidente da Casa, Joaquim Ribeiro (PSB), também é obrigado a participar da votação. Somente Mambrini, que tem interesse pessoal no assunto, ficará impedido de votar.
Na votação que determinou a formação da CP, nove vereadores foram favoráveis ao processo. São eles: Graciela Ambrósio (PP); Luiz Carlos Fernandes, Marcelo Valim e Jepy Pereira, do PSDB; Gilson Pelizaro e Silas Cuba, do PT; Válter Gomes e Maurício Chináglia, do PSB, e Marcelo Caleiro. Joaquim não votou e os demais defenderam o arquivamento do caso.
ESCAPARAM
Se Mambrini continua na berlinda, outros dois vereadores comemoraram o arquivamento de seus processos. Nirley de Souza (DEM), que também corria o risco de ser cassado, foi absolvido, por oito votos a seis, na sessão de quarta-feira. Ele era acusado de exigir que sua ex-assessora Marcia Pessoni destinasse R$ 300 mensais de seu salário para o pagamento de um carro que pertenceria ao irmão de Nirley, Carlos Roberto de Souza, o “Carlinhos”. Os vereadores que enterram a Comissão Processante para a denúncia acharam a acusação falha e inconsistente.
Absolvido também foi Valter Gomes. Seu ex-assessor, Sebastião Turquetti, após ser demitido, em dezembro do ano passado, acusou o vereador de ter a intenção de contratar quatro cabos eleitorais com a verba da assessoria de gabinete. Como nenhuma contratação foi efetivada, ele foi absolvido.
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