A advogada Adriana Telini deixou a cadeia neste fim de semana, mas a liberdade está longe de significar tranqüilidade. A prisão sob acusação de envolvimento no roubo de jóias ocorrido dia 21 de janeiro ressuscitou dois processos criminais contra ela que andavam adormecidos há quase dois anos na Justiça. Agora, Telini voltará a conviver com fantasmas que a atormentaram no passado: responderá por associação para o tráfico de drogas e por mais uma denúncia de formação de quadrilha.
Em junho de 2006, após o Comércio da Franca divulgar com exclusividade gravações telefônicas que apontam o envolvimento de Adriana Telini com o crime organizado, a Polícia Civil denunciou a advogada e ingressou na Justiça com dois pedidos de prisão preventiva contra ela. Os processos foram desmembrados e correram em duas delegacias distintas.
Na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), foi conduzido o inquérito que culminou com o pedido de prisão por formação de quadrilha. Neste caso, a advogada foi indiciada após ter sido flagrada por escutas telefônicas combinando assaltos a seus clientes com criminosos supostamente ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), Telini foi indiciada, ao lado de três criminosos, por associação ao tráfico de drogas. Grampo telefônico flagrou traficantes usando o telefone da advogada para negociar a compra de drogas. Ela também foi surpreendida tentando ajudar a filha de um cliente, que havia sido preso, a encontrar tijolos de maconha enterrados por ele em um terreno.
LENTIDÃO
Dois juízes se declararam suspeitos para julgar a advogada (teriam relação próxima com a parte). Embora os processos continuem em Franca, um juiz da 3ª Vara Criminal de Ribeirão Preto foi designado para acompanhar o caso. Desde então, a apuração vem se arrastando na Justiça.
Os recentes acontecimentos envolvendo Adriana Telini trataram de agilizar a condução dos processos que correm em segredo de Justiça. A reportagem apurou que testemunhas no inquérito que apura a associação para o tráfico de drogas já começaram a ser intimadas para prestar depoimento no Fórum. O interrogatório está marcado para o dia 18. Depois de ouvir a defesa, a acusação e as alegações finais, o juiz deverá dar a sentença.
O processo da formação de quadrilha está um pouco mais atrasado. A Justiça aguarda o interrogatório (marcado para o dia 17 de março) de um dos acusados, preso em uma penitenciária do interior do Estado, para, depois, começar a ouvir as testemunhas. “Estamos no aguardo de uma conclusão favorável, ou seja, na condenação da advogada pelo que ela fez. As denúncias são muito graves e consistentes, tanto é que a promotoria ofereceu a denúncia formal”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior, responsável pelo inquérito.
Além destes dois processos, Adriana Telini também responderá por tentativa de latrocínio e formação de quadrilha em razão do roubo de jóias. No dia 31 de janeiro, ela teve a prisão temporária decretada pela Justiça pela suspeita de envolvimento no assalto, ocorrido dia 21, a poucos metros de seu escritório. Ficou dez dias na cadeia de Batatais. Como a prisão preventiva foi negada, ela, o noivo e a secretária foram colocados em liberdade.
Segundo a Polícia Civil, o noivo de Adriana Telini, Luciano dos Santos Gonçalves, 31, é autor de dois assassinatos e de roubo à mão armada. Ele havia deixado a penitenciária de Lucélia no dia 21 de setembro de 2007 e estava no regime semi-aberto. Ainda teria seis anos de pena a cumprir. Agora, deverá perder o benefício.
IMPUNIDADE
Adriana Telini passou dez dias na cadeia sob a suspeita de envolvimento em assalto. Apesar da gravidade das acusações, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ainda não foi informado oficialmente do caso. Com isto, não tomou nenhuma medida contra a advogada. Se quiser, Adriana Telini poderá abrir as portas de seu escritório nesta segunda-feira e trabalhar normalmente.
O presidente da OAB Franca, Mansur Jorge Said Filho, informou que aguarda as cópias dos documentos da Polícia Civil contra a advogada para poder encaminhar o caso ao Tribunal em Ribeirão Preto. Em função das denúncias ocorridas em 2006, Adriana Telini foi condenada a um ano de suspensão. Recorreu da decisão e voltou a trabalhar. Não há previsão de um novo julgamento.
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