Cana atrai 5 mil para terras da região


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MÃO DE OBRA - Plantação de cana para o corte na região de Franca: até abril deste ano cerca de 5 mil trabalhadores devem chegar à região
MÃO DE OBRA - Plantação de cana para o corte na região de Franca: até abril deste ano cerca de 5 mil trabalhadores devem chegar à região
Rafael Pereira dos Santos, 47, lembra com saudade do interior do Piauí, na região Nordeste do País. Sem estudos e com uma condição de vida precária, veio para São Paulo em 2003 tentar a sorte e trabalhar no corte de cana na região de Franca. Há dois anos sem voltar para a terra natal, ele trouxe para São José da Bela Vista toda a família. São nove pessoas, entre filhos, noras, sobrinho, neto e a mulher. Todos os cinco homens da casa trabalham na cana-de-açúcar. Recebem juntos, em época de safra, cerca de R$ 3 mil. “Viemos tentar a vida. Onde morava era muito ruim, não se podia plantar nem colher, não havia emprego. Aqui, podemos trabalhar”, disse. Rafael não é o único. Assim como ele, cerca de 5 mil bóias-fria ganham a vida nas dez usinas da região. Uma verdadeira legião de cortadores de cana chega à região em busca de uma oportunidade de emprego. Os números, embora não coloquem a cultura entre as que mais empregam na região - os sapateiros são, de longe, a categoria profissional mais comum por estas bandas, com quase 40 mil integrantes - é suficiente para modificar, ainda que timidamente, o mapa das oportunidades de trabalho na região. Cada bóia-fria recebe, no mínimo, R$ 580 mensais, mas o valor varia de acordo com a produtividade. Se cortar mais que sete toneladas por dia, recebe R$ 3,60 por tonelada adicional. Alguns cortadores chegam a “podar” até 20 toneladas por dia. Embora não existam dados oficiais sobre o tema, estimativas do economista Antonio Vicente Golfeto, de Ribeirão Preto, indicam que, na região de Franca, os trabalhadores da cana movimentam, mensalmente na economia regional algo próximo a R$ 4 milhões. Por ano, seriam quase R$ 50 milhões. “O mercado da cana está se expandindo e, embora chegue com muito menos força à ponta da cadeia, que é o cortador, o impacto é significativo”, afirma. Quem emprega mais é Patrocínio Paulista. Sede da Cevasa, a maior usina da região, a cidade emprega aproximadamente 1,2 mil bóias frias. Outra grande empregadora é Batatais, com cerca de 800 vagas. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patrocínio, Eli Marques, a grande maioria dos cortadores de cana vem de fora. “Em Patrocínio, na realidade, não tem nenhum cortador de cana. O povo daqui não se adaptou, não gostou do serviço. Só ficou um nativo daqui e no ano passado eles nem foi trabalhar. Agora quem vem são pessoas de Pernambuco e de Minas Gerais. A maioria é de Pernambuco mesmo”. MECANIZAÇÃO A situação dos cortadores da região deve piorar nos próximos anos. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou, em julho de 2007, um protocolo que antecipa o fim da queima da palha de cana de 2021 para 2014, o que obrigará a substituição do corte manual por máquinas. Será a extinção do trabalho de mais de 160 mil “bóias-fria” que atuam no Estado, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). “É uma realidade, mas o corte manual não acabará. Existem áreas íngremes onde a máquina não trabalha. Pessoalmente, estimo que ao menos 25% dos trabalhos sejam mantidos”.

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