Família toma banho em córrego por falta d’água


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Sem água e luz em casa, dois dos filhos de Edimara se lavam no Córrego Esmeralda: rotina diária causa problemas à família e riscos à saúde das crianças
Sem água e luz em casa, dois dos filhos de Edimara se lavam no Córrego Esmeralda: rotina diária causa problemas à família e riscos à saúde das crianças
Assistir à televisão e tomar banho - quente ou frio, tanto faz - atividades comuns para muitas pessoas, são o sonho da sapateira desempregada Edimara, seu marido, mãe e cinco filhos. Eles vivem em condições precárias depois que foram despejados do Jardim Esmeralda I e precisaram se mudar para um loteamento no Esmeralda II. Nesse novo endereço, não contam com a rede de água e esgoto e dependem da luz de um lampião e do córrego que fica em meio ao matagal para cozinhar e se banhar. A casa de Edimara Malta Pereira, 29, está cercada por mato, terra e bichos. A família vive nessas condições há dois meses. “Estamos tomando banho com água da chuva e, quando não chove, meus filhos vão para um córrego (Esmeralda) que tem aqui perto de casa e se lavam lá”. A mãe se sente impotente diante da situação. “Vejo eles (sic) passarem frio e ficar com um cheiro de ferrugem no corpo por causa da água suja sem poder fazer nada”, lamenta. Edimara alega que já procurou a Prefeitura e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para pedir ajuda. “Fui na Sabesp há umas duas semanas pedir para eles levarem água num caminhão pipa, mas me disseram que tenho pouca vasilha e que não compensa trazer” (leia mais no texto nesta página). A família usa um tambor, uma caixa d’água pequena e 19 garrafas pet como reservatórios. A falta de energia elétrica também agrava o dia-a-dia da família. “Temos fogão, mas, para economizar gás, usamos um fogão a lenha que fizemos no quintal”, disse Maria Aparecida Malta, 50, mãe de Edimara. Atualmente, a renda da casa é mantida com sua aposentadoria, no valor de R$ 380. “Estamos vivendo com um salário mínimo”. O pai das crianças é sapateiro, está de férias desde dezembro e ainda não foi chamado para retornar à fábrica. Como as dificuldades batem à porta da família, eles têm problemas até para conseguir o leite necessário para todas as crianças. “Precisamos muito de leite”, disse a mãe, quase chorando. No dia em que a reportagem esteve na casa, a família estava há dois dias sem o alimento. “E só conseguimos antes porque sobrou da UBS (Unidade Básica de Saúde) aqui do bairro”, revela Edimara. OUTRA VEZ Não é a primeira vez que a história da sapateira desempregada Edimara ganha as páginas do Comércio. Em 17 de abril do ano passado, ela foi destaque porque morava numa casa emprestada e seria despejada dias depois. Outro motivo para reportagem foi o drama de um de seus filhos, que tinha então 6 anos mas aspecto de um garoto de 4 anos. Na época, media 1,04 metro e pesava apenas 14,2 quilos. Após publicação da matéria, Edimara ganhou tijolos, alimentos e móveis, que ajudou, mas não resolveu os problemas da família. “Com as doações, pude economizar um dinheiro para dar entrada no terreno. A casa tem três cômodos e foi levantada graças à reportagem”. Ela ganhou um armário de madeira, uma televisão, que, por ironia, não é usada por não ter energia elétrica, uma mesa e algumas cadeiras.

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