Francisco Queiroz Lemos, 62, há mais de 30 anos secretário da Associação Atlética Francana, foi preso anteontem à noite. Ele passou quase 18 horas na cadeia do Jardim Guanabara, onde inclusive passou a noite de quarta para quinta-feira. Tudo devido a uma dívida do clube com um restaurante da cidade, de propriedade de Sílvio Luís Fonseca. Apesar da mais de uma centena de processos judiciais de cobrança, isso nunca havia acontecido com diretores ou funcionários da Veterana. Queiroz era fiel depositário de cerca de R$ 4,5 mil que haviam sido penhorados da bilheteria do jogo entre Francana e Santacruzense, realizado no Lanchão, no dia 11 de fevereiro do ano passado.
Neste caso, segundo o site do TJ (Tribunal de Justiça), no dia 11 de dezembro de 2007, o juiz da 3ª Vara Cível do Fórum de Franca, Humberto Rocha, expediu o decreto de prisão contra Francisco Queiroz. O mandado tinha validade de 90 dias e foi cumprido na noite de anteontem, quando o secretário estava em sua casa e havia chegado de uma festa. Um oficial de Justiça esteve na residência acompanhado de policiais militares. Preso, Queiroz foi conduzido à cadeia do Guanabara. Segundo o site do TJ, o fiel depositário havia sido intimado no ano passado para comprovar o depósito judicial do valor penhorado. Nada foi feito.
A dívida cobrada pela empresa Sílvio Fonseca Júnior Franca ME foi feita em 1999 e é de R$ 6.674,77. Na época, os jogadores do clube almoçavam no restaurante. A ação, de número 3968, foi impetrada na Justiça em 2003. Com valores corrigidos, a cobrança está em R$ 11 mil, segundo José Servino Braga, presidente do clube. O dirigente, aliás, foi o primeiro a receber uma ligação sobre a prisão civil do funcionário do clube. "Ligaram para mim por volta das 22h30 informando da prisão do Queiroz. Desde então começamos a correr atrás para soltá-lo, mas infelizmente só poderíamos fazer isso a partir da manhã de hoje (ontem)", disse ele.
O alvará de soltura só foi expedido depois que Braga depositou em juízo, na agência da Nossa Caixa existente no Fórum, o valor do qual o secretário era fiel depositário. O presidente esmeraldino reuniu a quantia durante a manhã e depositou o total por volta das 14 horas de ontem. O juiz auxiliar da 3ª Vara Cível, Paulo Sérgio Jorge Filho assinou o alvará, que foi entregue na cadeia por um oficial de justiça às 16 horas.
Pouco mais de 40 minutos depois, com os trâmites burocráticos finalizados por um funcionário da cadeia do Guanabara, Queiroz foi liberado e pôde retornar para casa. Braga ficou no aguardo do secretário e foi quem o levou embora em seu carro.
quem é?
Francisco Queiroz ou simplesmente Queiroz, como é conhecido na Francana, está há 30 anos no clube. Mas contribuindo com a agremiação, ele atua há muito mais tempo que isso, pois já tinha ligações com a agremiação antes mesmo de se aposentar. Ele trabalhava como bancário.
Chiquinho, outro apelido de Queiroz no clube, já ocupou diversos cargos na Veterana, entre eles o de vice-presidente, esclareceu Braga. Atualmente ele é o responsável pela produção dos contratos dos jogadores e registro deles na FPF (Federação Paulista de Futebol). Serviço esse que demanda conhecimento para que nenhum atleta possa atuar irregularmente e, com isso, gerar graves conseqüências ao time, inclusive com perda de ponto sem competições oficiais.
Na história da Associação Atlética Francana, Queiroz fez parte de seus momentos mais felizes. O principal deles foi na campanha do time em 1977, quando foi campeão da Segunda Divisão. A forte ligação com a agremiação o impede de ficar longe do clube. "Ele apareceu todos os dias, mesmo estando em férias", disse José Braga.
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