Acaso sou o guarda de meu irmão?


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Caim não morreu! Está vivo quando representado pelas situações de morte a que são submetidos os mais fracos diante das injustiças humanas. A sociedade se defronta com uma cultura de morte, utilitarista e impregnada de hedonismo, em que se perdeu a capacidade da crítica, deixando de olhar para dentro de si. A Bíblia Sagrada, em Gênesis (4,1-16), descreve a saga de dois irmãos prefigurando o Mal na pessoa de Caim e o Bem, em Abel, assassinado por ele. Assim como todo mal não perdura para sempre, o bem dura menos ainda! Poderão julgar a afirmação de que Caim vive, mas é lúcida e comprovada sua presença no mundo. Procurando por Caim o encontramos nos noticiosos dos órgãos de comunicação, na face da violência denunciada e relatada muitas vezes com requintes desnecessários à compreensão do leitor ou ouvinte. Do nascer ao morrer ele está presente nas ameaças de aborto ou eutanásia. Caim é encontrado no espancamento de bebês, crianças e mulheres indefesas e aterrorizadas cujas situações as levam, muitas vezes, à morte física. Procure-o no meio ambiente destruído pela ambição capitalista, cujos males à humanidade já começam a se delinear nas reações da natureza. Caim brinca nos quintais das guerras santas ou pecadoras, cuja logística fratricida prevê o uso de mulheres-bomba... com Síndrome de Down. Na calada da noite reúne-se nos subterrâneos do Castelo de Moradas, descrito magistralmente por Santa Tereza, junto aos seus semelhantes, ou seja, cobras e sevandijas; lugar esse reservado aos que tramam maldades, pestes e terremotos, mutilações e misérias que assolam a humanidade e destroem seus sonhos. Procurando por Caim o encontraremos nos esgotos fétidos da perversidade e da corrupção humana, cada vez mais aprimorada e sofisticada. A mentira dos mensaleiros, mensalistas, parentes, ongueiros, anões, marketeiros e todos os eiros e istas, transformada numa peça de humor negro sujeita a aplausos e dancinhas no Congresso Nacional. Procurando por Caim, o encontraremos nas altas contas dos cartões de crédito dos asseclas pobretões, encantados com a burguesia e seus prazeres. Ora, são as delícias proporcionadas pelo Estado do bem estar social... deles! Procurando por Caim, o encontraremos na inanição da cidadania e na fraqueza das instituições, que promovem as mais sérias ameaças e agressões, violando com decursos e outras regalias, o sentimento de confiança do povo brasileiro. Nessas e nas inúmeras situações de exclusão poderá ser encontrado... quem matou Abel e, pode ser que não seja o Caim... O Caim bíblico (Gn 4,1-16), não suporta a opção de Abel, o irmão, pela fidelidade que demonstra ao projeto divino, não se importando com as regalias prerrogativa da primogenitura de Caim na Casa de Adão. Isto demonstra que não precisamos de cargos importantes para servir aos que mais precisam, na simplicidade de cada um mora o grande projeto de amor que Deus tem para a humanidade. Abel, a primícia do Cristo, sacrificado e morto pela cupidez, assim como o foi o Cristo da história e, pela mesma razão, Gandhi, Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá e outros humanistas, deram a vida para que outros tivessem vida. Lembrar Caim é caminhar no deserto do conhecimento e verificar que esses comportamentos não precisam se perpetuar para as gerações futuras, como herança da cupidez! CAMPANHA DA FRATERNIDADE O Secretário Geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa lançou na Quarta-Feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade 2008. O tema é ‘Fraternidade e Defesa da Vida’ e o lema ‘Escolhe, Pois, a Vida’ (Dt 30,19). Temas polêmicos como aborto, eutanásia, sexualidade, família e bioética contemplam o texto base (à disposição nas livrarias e paróquias). Quem conhece o texto diz que não se trata de um mutirão contra o aborto, mas deixa claro que não haverá silêncio contra propostas abortistas. Os caminhos da morte são infinitos, entre eles as condições sub-humanas, exclusão social, violência urbana, tráfico e demais atentados contra a vida. Nascer e morrer com dignidade são direitos inalienáveis. De acordo com Dom Odilo Scherer, ‘a Defesa da Vida é uma questão cidadã, que se resolve politicamente’. As questões sociais perpassam por leis e orçamentos. Oxalá não seja mais uma, pois as ameaças à vida duram muito mais do que um ano de campanha! QUE CULTURA É ESSA? A sociedade moderna de concepção utilitarista encontra-se organizada a partir de critérios de produtividade e eficiência. É excludente à medida em que vidas são avaliadas sob o ponto de vista de ônus e bônus, ou seja, custo-benefício. Os ditos incapazes, deficientes, idosos e doentes passam a representar um alto custo ao governo que subsidia a ‘roupa velha em desuso ou fora de moda’. Por isso, nessa linha, nada mais justo do que a eutanásia (sic). Sortudos são os jovens, belos, inteligentes e saudáveis. O PERIGO MORA AO LADO! Decisões precipitadas, tomadas sob pressão ou efeito de uma depressão passageira, sórdidas conspirações de herdeiros sem escrúpulos para abreviar a espera, costumam permear o universo da eutanásia. É direito do paciente recusar tratamentos considerados excessos terapêuticos, que prolongariam o sofrimento, no que se convencionou chamar de ortotanásia. A encíclica Evangellium Vitae confirma esse direito de recusa, ‘sem contudo, interromper os cuidados normais devido ao doente... Esses meios não são considerados suicídio ou eutanásia’. Aceitando o inevitável...

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