Não! Não se preocupe, aqui ninguém vai entrar nos meandros sobre o uso do papel higiênico. Pode ler tranqüilamente, porque serão feitas apenas algumas reflexões naquilo que diz respeito ao tamanho/preço desse produto, oferecido pelo fabricante ao esfolado consumidor, nas gôndolas de supermercados.
O pior de verdade, só para historiar um pouco, era antes da fabricação do providencial papel higiênico. A situação humana não tinha nada de confortável, tornava-se necessário encontrar folhas lisas, largas e de bom tamanho. É até engraçado imaginar a origem do ditado: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
Pois, pessoa nenhuma, em sã consciência, iria usar a diminuta folha do pé de pimenta no olho. Seria muito masoquismo!
Em tempos já nem tão passados, muita gente valia-se do jornal, logicamente depois de lido e de ter servido para embrulhar mercadorias as mais diversas possíveis. Como se nota, o progresso e a produção em série podem também trazer mais conforto a todos. Atualmente, o papel higiênico está ao alcance de qualquer bolso.
Talvez por isso, entrou em ação a esperteza econômica do fabricante de celulose. O papel higiênico sempre foi comercializado em rolo de 40 metros. Com a criação do real e a pseudo estabilização de preços, só restou uma jogada de marketing: diminuir 10m no pacote, só que caiu o valor em apenas 5m, mas passava-se a impressão de ser mais barato. Por algum tempo, 30 ou 40m foram comercializados concomitantemente.
No entanto, aos poucos, bem aos poucos, os fabricantes foram retirando os rolos de 40m do mercado e passaram a oferecer o papel higiênico em pacotes de 30m. Isso já havia acontecido antes com o óleo comestível, que de um litro regrediu para 900ml. Os 200 gramas da embalagem de bolacha, também se alteraram para 180, 170 e até 160g. Cada vez que se muda a unidade de uma medida, acaba-se pagando mais, por menos produto e os exemplos abundam.
Voltando ao assunto, coitado do papel higiênico! Sua existência em muito se assemelha à do bêbado: quando não está todo enrolado, acaba ficando todo sujo, molhado e amassado. Porém, dá lucro para o fabricante.
Agora, bem recentemente, ao contrário, aumentaram a medida para exatamente o dobro. Passaram a fazer rolos de 60m. O preço? Ah! Só para facilitar a vida econômica do consumidor subiu em apenas 50%. E mostrando transparência, as duas metragens convivem uma ao lado da outra nas prateleiras.
Dentro de pouco tempo, além do neutro ou do perfumado, o consumidor só vai mesmo encontrar o rolo de papel higiênico com 60m de comprimento para comprar. Se nos 30m, provavelmente ninguém nunca conferiu a metragem, para ter certeza de que levava mesmo essa extensão para o banheiro, agora com os 60m, a espessura, isto é, a grossura diminuiu em 50%. Faça então as contas!
ANTÔNIO ARAÚJO é professor. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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