Deselegância francana


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Os francanos possuem características comuns que saltam aos olhos de quem visita a cidade, dentre elas, a tranqüilidade. Para aqueles que aqui nasceram ou residem há anos, é inevitável orgulhar-se da cidade tranqüila, majoritariamente limpa, florida e espirituosa. A surpresa é que toda essa tranqüilidade se esvai quando a cidade é vista de dentro de um automóvel, principalmente sob a ótica do motorista. Neste contexto, a cidade é perturbada e asfixiante; e o francano, deselegante e mal-educado. A princípio, o comportamento dos motoristas pode parecer inofensivo: estacionar em lugares proibidos nas estreitas ruas do centro, buzinar quando o motorista à frente não percebeu que o semáforo está verde a mais de 2 segundos ou aproveitar os últimos instantes do sinal amarelo para atravessar o cruzamento, mesmo sabendo que no meio da travessia o semáforo já apontará o vermelho. A falta de respeito à norma naquelas situações é a mesma que determina o esquecimento na hora de ligar a seta – que não é item opcional do veículo –, ou que as vias públicas não existem para disputas e que um automóvel pode causar acidentes fatais a qualquer instante. Repassar a responsabilidade adiante pelo trânsito violento de Franca é um ato quase involuntário, pois raro é aquele que se assume um desatento e mau motorista. Contrariamente, o comum é deparar-se com impacientes que buzinam com estridência sem necessidade ou, pedestre, lançando-se à locomoção fora do momento adequado. A discrepância entre o contato pessoal francano e o contato no trânsito é tamanha que cria-se um ambiente próximo à impessoalidade da comunicação virtual: o internauta anônimo sente-se à vontade para cometer grosserias em programas de conversação pois está ciente de que a possibilidade de retaliações é praticamente nula. De forma semelhante, o motorista, protegido pela impessoalidade de seu veículo e pela rapidez do tráfego, pode exceder-se em comportamento agressivo, sabendo que dificilmente reencontrará aquele ao qual destinou a agressividade ou tampouco receberá punição. Indubitável é o fato de que a violência em demasia no trânsito em Franca é oriunda do próprio francano, o qual, em escalas gradativas, desrespeita o próximo e faz da via pública um ambiente que em nada se assemelha às características da cidade nem dos cidadãos que nela vivem. Será feliz o momento em que toda a cordialidade francana puder escrever o cenário de um trânsito pacífico e organizado. SUELEN CHIRIELEISON TERRUEL é bacharel em Direito pela Unesp, campus de Franca

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